Política

Gazzetta revoga leilão de veículos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Secretário Davi José Françoso: “O preço colocado foi muito baixo. A gente vai ter que rever”

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) vai revogar o processo que leiloou, no último dia 4 de janeiro, 59 veículos que o município considera inservíveis. Carros, caminhões, motocicletas, micro-ônibus e camionetes foram arrematados, em lote único, por R$ 28.460,00 por uma das 24 pessoas que demonstram interesse em comprar o material. O secretário de Administração, David José Françoso, levantou, contudo, uma série de questionamentos acerca do valor atribuído a esse patrimônio e de itens que compõem os automóveis, mas que poderiam ser reaproveitados em outros equipamentos.

São pneus, motores, câmbios, faróis e lanternas em condições adequadas para o uso, identificadas pelo servidor em vistoria na manhã desta quinta-feira.

“Estou preparando um relatório que relaciona uma série de pontos que precisa ser reavaliada para que não restem dúvidas sobre a transparência desse processo. O preço atribuído é muito baixo para alguns itens”, adianta Françoso.

O Jornal da Cidade analisou a lista dos veículos leiloados, que é pública e pode ser consultada por qualquer pessoa no site da Prefeitura de Bauru.

Os automóveis mais antigos, dois Gols datados de 1991, foram avaliados em R$ 133,00 cada. O item mais caro é um caminhão, ano 2000, cujo custo foi estimado em R$ 1.983,33. Outro caminhão, de 2007, “vale” R$ 1.316,67, no edital do leilão.

Esses valores foram obtidos por meio de pesquisas de preço junto a empresas do ramo. Ainda no ano passado, cinco delas foram consultadas, mas a Secretaria de Administração considerou apenas as três mais favoráveis ao interesse público para obter a média, que estabeleceu, por sua vez, o lance mínimo de R$ 25.810,00, considerando a soma dos 59 veículos.

Dos 24 inscritos no leilão, 19 declinaram da disputa pelo maior preço na etapa de lances e cinco participaram até a conclusão da sessão. As propostas finais foram de R$ 28.460,00, R$ 28.360,00, R$ 28.160,00, R$ 28.060,00 e R$ 27.960,00.

DO ZERO

A previsão era de que o resultado do leilão fosse publicado na edição do Diário Oficial de amanhã para que fosse aberto prazo de cinco dias para recursos, etapa obrigatória que antecede a homologação do processo, que não vai mais acontecer.

“Estou sugerindo a revogação. Vamos começar do zero, com o mesmo objeto, dos 59 veículos, mas com um novo formato. Um ponto que deve ser alterado é dar baixa e vender tudo como sucata. Da forma como foi feito, estavam saindo com documentação. Ou seja, poderiam voltar a circular”, diz David José Françoso, que defende ainda que cada item seja leiloado separadamente, e não em um lote único.

Na noite dessa quinta-feira (19), a coordenação de Comunicação da Prefeitura de Bauru confirmou que Gazzetta acolherá as recomendações do secretário de Administração.

Pelas redes

David José Françoso deu início à apuração sobre o leilão na terça-feira, quando circularam pelo Facebook especulações sobre eventuais irregularidades e favorecimentos a parentes de cargos comissionados da Secretaria de Obras.

Na mesma tarde, a reportagem teve acesso ao processo e ouviu do secretário de Administração a avaliação de que não havia razões para a revogação dos procedimentos.

O entendimento de Françoso mudou após a vistoria aos veículos, que estão na Usina de Asfalto e na sede Divisão de Apoio Operacional (DAO). Apesar de todos os trâmites prévios ao leilão terem se desenrolado na gestão anterior, como a sessão aconteceu no dia 4 de janeiro, ele é quem assinaria a homologação do resultado.

Nas redes sociais, há comentários sobre boletins de ocorrência registrados contra supostas fraudes no leilão. A coordenação de Comunicação da Prefeitura de Bauru informou, porém, que, junto a Polícia Civil, não houve a formalização de ocorrências relacionadas ao caso, ao menos com a administração municipal como parte.

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