| Renan Casal |
![]() |
| Luiz Pires, diretor do Zoo de Bauru |
O primeiro caso de febre amarela na região foi confirmado nesta semana em Santa Cruz do Rio Pardo, que fica a 90 quilômetros de distância. A notícia acendeu o alerta para o risco de moradores de Bauru também serem infectados, já que a cidade é permeada por fragmentos de mata. E a observação de macacos doentes, felizmente ainda não constatada, normalmente é o primeiro sinal de problemas.
Diretor do Zoológico de Bauru, Luiz Pires explica que, por contar com muitas regiões de mata, o município sempre foi considerado endêmico para a doença em sua forma silvestre. Em áreas florestais, os transmissores da febre amarela são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, que podem infectar diversas espécies de primatas, incluindo macacos e, também, humanos.
Já no meio urbano, a transmissão se dá por meio do mosquito Aedes aegypti, quase sempre muito presente na cidade e também transmissor da dengue, zika e chikungunya. “Quando uma pessoa vai fazer uma trilha, por exemplo, pode ser picada pelo Haemagogus contaminado e, ao retornar para o meio urbano, ser picada novamente pelo Aedes, iniciando, assim, a circulação do vírus na cidade”, observa.
Chamados de animais-sentinela, os macacos normalmente são os primeiros infectados e, portanto, alertam para a circulação do vírus em uma determinada região. Por este motivo, Pires pede para que a população avise o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) caso um destes primatas seja avistado morto ou agonizando na cidade, tanto na zona urbana quanto dentro da mata.
“Quando o vírus está ativo, começamos a perceber a presença de macacos mortos, já que o Haemagogus se reproduz no topo das árvores, exatamente onde estes primatas ficam”, detalha.
SEM PÂNICO
O fenômeno costuma acontecer antes mesmo de haver casos humanos na mesma região. E, assim como aconteceu em Minas Gerais e no Espírito Santo, quando uma quantidade anormal de animais começa a morrer, o poder público imediatamente adota medidas de bloqueio, mais precisamente a intensificação da vacinação da população.
“Mas não há motivo para pânico, já que a maioria da população, que já recebeu as duas doses da vacina previstas no calendário obrigatório, está imunizada para o resto da vida”, salienta.
Pires lembra que, diante de um surto, os macacos, além de sentinelas, são tão vítimas quanto os humanos e, portanto, é importante não tratá-los como vilões. Há cerca de dez anos, no Rio Grande do Sul, quando nove pessoas daquele Estado morreram da doença, diversos macacos foram agredidos e mortos pela população.
Em 2017, episódios semelhantes voltaram a acontecer com bugios no mesmo Estado. “É preciso ficar claro que eles não são os transmissores, mas sim o mosquito”, frisa o diretor do Zoo de Bauru.
Ele diz que a administração municipal está alerta para o comportamento dos macacos na cidade, principalmente entre os indivíduos mais presentes na zona urbana. “Caso um indivíduo moribundo for localizado, será feita a coleta de material para investigar se há alguma relação com a febre amarela”, adianta.
Primeira etapa de vacinação contra a doença imuniza 584 pessoas
Equipes de saúde percorreram a zona rural; Bauru não tem casos suspeitos
| Divulgação |
![]() |
| Secretário de Saúde, José Eduardo Fogolin, e sua equipe orientaram e vacinaram moradores e frequentadores da área rural |
A secretaria Municipal de Saúde de Bauru realizou, nesse sábado (4), um mutirão de vacinação, em Bauru, contra a febre amarela. Foram vacinadas 584 pessoas; 1500, que já foram imunizadas ou tem algum impedimento, receberam orientações sobre prevenção e sintomas.
A ação, que percorreu a zona rural de Bauru, contou com sete equipes compostas por enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas. O secretário municipal de saúde, José Eduardo Fogolin, também participou dos trabalhos, com duração de sete horas.
“Superamos a expectativa. Durante a semana, as unidades básicas de saúde irão imunizar os adultos que não tomaram a vacina nos últimos 10 anos ou não se recordam. Não há complicações. Só há contraindicação para alérgicos a ovo”, destaca Fogolin, informando que pessoas com mais de 60 anos precisam passar por uma avaliação médica antes de receber a dose.
A intenção é vacinar entre 80 e 84% do público-alvo do município. “A orientação é que pessoas que vivem ou transitam pela zona rural, incluindo chácaras aos finais de semana, sejam vacinadas”.
As equipes passaram pela região do Vale do Igapó, Vila Aimorés, Parque Santa Terezinha, Quirilândia, Chácaras Bauruenses, região do residencial Village Campo Novo, Sítios Reunidos Santa Maria, entrada do Distrito de Tibiriçá, rodovia Marechal Rondon sentido Bauru, incluindo as estradas de acesso aos Centros de Progressão Penitenciária 1 e 2 (CPP 1 e CPP 2) até a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP -294), a Bauru -Marília.
Também estiveram nas imediações da rodovia Cesário José de Castilho (SP-321), a Bauru - Iacanga, na entrada da Vila São Paulo, na estrada velha de Piratininga até a lagoa de captação de água do DAE, no bairro Águas Virtuosas e no entorno do bairro Rio Verde. A ação, que percorreu pontos da zona rural da cidade, será repetida no dia 11 de fevereiro, próximo sábado.
Nesta data, além do trabalho das equipes de vigilância epidemiológica na zona rural, as Unidades Básicas de Saúde dos bairros (UBS), mais conhecidas como postos de saúde, terão horário de atendimento ampliado, das 8h às 17h.
PREVENTIVO
Apesar do alerta e das ações de combate, o secretário municipal de Saúde José Eduardo Fogolin reitera que Bauru ainda não tem suspeitas e nem casos de febre amarela. “São ações de extrema importância para prevenção”, pontua. No dia 30 de janeiro, no entanto, a região teve seu primeiro caso de febre amarela silvestre registrado em Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru).
Pelo menos outros dois casos suspeitos da doença são investigados nas cidades de Itatinga (120 quilômetros de Bauru) e Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru).
SINTOMAS
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus transmitido por meio da picada de mosquitos transmissores infectados, entre eles o Aedes aegypti. Os principais sintomas são febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, fadiga, náuseas e vômitos.
Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem doença grave são levadas à morte.
A vacina contra a doença é altamente eficaz e segura. Quem tomou duas doses da vacina na vida está imunizado para sempre.
Há contraindicações de vacinação para gestantes e bebês com menos de 6 meses. O Ministério da Saúde orienta a vacinação, principalmente, para quem mora ou vai viajar para áreas rurais.
Estado de São Paulo já contabiliza sete mortes por febre amarela
O surto recente de febre amarela já havia infectado 155 pessoas no País, com 58 mortes. Outros 671 casos ainda estão sob investigação.
Trata-se do maior surto da série histórica do Ministério da Saúde, divulgada desde 1980. Em São Paulo, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, sete mortes já foram confirmadas na Capital, em Santana do Parnaíba, Paulínia, Batatais e Américo Brasiliense.
Também no território paulista, ao menos 31 macacos mortos por febre amarela ou doentes foram localizados desde o ano passado nas regiões de Ribeirão Preto, Barretos, Franca e São José do Rio Preto.
O início do surto, contudo, foi constatado em Minas Gerais, chegando, em seguida, no Espírito Santo. Neste último Estado, cerca de 400 macacos foram encontrados mortos na Mata Atlântica, segundo pesquisadores.

