O delegado Renato Mardegan, que investiga os desvios milionários na Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru), revelou que as provas reunidas no inquérito até agora apontam para desfalque superior a R$ 7 milhões. A principal suspeita, a servidora pública Sueli de Fátima Feitosa, que entregou-se nessa quarta-feira (8) e assumiu o crime, permanece presa preventivamente na Cadeia Pública de Pirajuí.
O depoimento de Sueli à Polícia Civil durou mais de nove horas. Antes, ela se apresentou ao promotor de Justiça Reginaldo Garcia, que investiga a conduta dela em inquérito civil. De acordo com Mardegan, apesar de assumir que se apropriou de dinheiro da prefeitura, a servidora alega que os desvios começaram em 2008.
“Ela confirmou que, no período de 2008 até a data em que foi afastada, realmente praticou os desvios. Ela não deu detalhes, mas temos provas carreadas nos autos sobre a forma como isso aconteceu”, declara. De acordo com o delegado, Sueli afirma que agiu sozinha. “Ela disse que não tem nomes a serem revelados”, informa.
A servidora não assumiu o desvio de R$ 3,5 milhões. “Ela não fala em valores. Ela alega que é menos, que não chega a R$ 2 milhões. Mas ficou claro, nesses 45 dias de investigação, que é muito mais que isso. As provas estão indicando que seja pelo menos o dobro, ou R$ 7 milhões, de 2001 até os dias de hoje”, revela.
Mardegan anunciou que irá representar pela continuidade da prisão de Sueli, que teve prisão preventiva decretada por 30 dias. O cunhado dela, Adilson Gomes de Souza, também está preso preventivamente. A mãe da servidora, Maria da Conceição Feitosa, que chegou a ficar presa, pagou fiança e foi solta no último dia 7.
Segundo o delegado, a defesa de Sueli avalia a possibilidade de assinar acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP). Para ter direito ao benefício, segundo a Promotoria, ela precisa fornecer informações sobre eventuais coautores, identificar o patrimônio lavado e se comprometer a restituir o valor desviado.
A reportagem telefonou para o advogado da servidora, Antonio Godoy Maruca, mas ele não atendeu e nem retornou a ligação.