Cultura

Arte urbana: é preciso falar sobre o grafite

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Sérgio Oliveira estará hoje em roda de conversa sobre grafite, na Casa do Hip Hop, na Estação

No lugar de paredes desgastadas ou pichações, muitas cores, desenhos, personagens e histórias que dão voz à cultura hip hop. O grafite, enquanto transformador do cenário urbano e da vida dos seus artistas, é tema do filme Cidade cinza, que será exibido neste sábado (11), às 16h no #CinePixote, cineclube da Casa do Hip Hop de Bauru, na Estação das Artes. A entrada é gratuita

Em seguida, os artistas do grafite Luiz Felipe e Sérgio de Campos Oliveira puxam um bate-papo com o público. O filme, de 2013, com direção de Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, filmado ao longo de 6 anos, mostra conversas com grandes grafiteiros de São Paulo e coloca em xeque a noção de arte implementada por políticos, o pertencimento da cidade e diversas outras questões sobre a arte urbana.

“A proposta é falar da militância da cultura hip hop e mostrar que é possível viver de arte e expressar algo bom para a sociedade. Queremos motivar os meninos novos a buscarem conhecimento e vivências sobre o grafite”, explica Sérgio.

O assunto está em alta, principalmente depois que o prefeito de São Paulo, João Doria Júnior, mandou apagar o grafite de diversos pontos da capital paulista. “É um retrocesso na arte urbana e ele saiu perdendo com a polêmica internacional que essa atitude gerou”, comenta o artista do grafite, que é instrutor artístico na Divisão de Ensino às Artes, da Secretaria Municipal de Cultura.

ARTE URBANA

Sérgio, 30 anos, é natural de São Paulo e lá conheceu o grafite, que serviu de estímulo para que ele cursasse faculdade de artes visuais na Unesp de Bauru.

“De 2010 para cá houve crescimento e avanço na arte do grafite, com mais oficinas, cursos e informações. Eu sou fruto disso. Desde 2014 desenvolvo um projeto ligado à Prefeitura de Bauru, que ensina a arte urbana; não é a academia que forma o artista da rua, mas outros artistas e a própria rua”, avalia.

“É uma arte que abrange outras e abre portas para conhecimentos de história da arte, tintas, cores e de como fazer um trabalho. É um transformador social na medida em que leva o jovem a estudar, expressar sentimentos e ter uma ocupação”.

O grafite ainda é positivo para a cidade, pois os desenhos tendem a ser respeitados por pichadores e mudam o cenário urbano. “Motiva olhares, muda a percepção visual e ocupa os espaços de forma diferente. Uma parede branca não te dá nada, mas a cor é uma provocação, os desenhos instigam, dão voz a lutas, sonhos e pensamentos. Falam por si. E a rua tem muito a dizer”, ressalta Sérgio.

E, de acordo com ele, não é preciso ir à capital para ver um bela galeria a céu aberto. O interior tem excelentes artistas, até de renome internacional como L7M e Jota Crepaldi. “Com materiais de qualidade, conhecimento e informação, essa arte é cada vez mais valorizada”.

SOBRE O CINECLUBE

O #CinePixote, realizado em dois sábados do mês na Casa do Hip Hop de Bauru, conta com exibição de um filme seguida de roda de conversa. Segundo os organizadores, a intenção é fomentar a troca de ideias, instigar o pensamento e a formação, abordar temas que estão em pauta, analisar a vida e o mundo por diferentes perspectivas. Para saber mais acesse a página da Casa do Hip Hop no Facebook.

SERVIÇO

Exibição do filme Cidade Cinza e roda de conversa: hoje, 11/02, às 16h, no cineclube #CinePixote, na Casa do Hip Hop, na Estação das Artes (Praça Machado de Mello, antiga estação ferroviária). Entrada gratuita.

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