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Há mais coisas entre o céu e as células do que sonha nossa vã filosofia

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Hoje a onda é alimentação saudável. Corta açúcar, malha, deixa refrigerante de lado, evita-se gorduras saturadas... As academias nunca contaram com tantos adeptos e até o futebol entrou na onda. Tudo muito profissional. Hoje nem tem espaço para “boleiros”, ou o cara entra no esquema de cuidar do corpo ou tá fora. Regimes, dietas, nutricionistas a postos. Tudo para uma boa qualidade de vida. Colesterol controlado, doenças cardiovasculares afastadas... Opa! Doenças cardiovasculares afastadas? Nem tanto. Ainda morremos um bocado do coração, AVC e enfermidades irmanadas. É claro, todavia, que o corpo agradece todos os cuidados que temos com ele. E responde bem, mas deve-se considerar que não somos apenas um corpo físico.


E se o corpo carece de boa alimentação, o psiquismo também necessita. E é bem aí que a coisa começa a pegar. Passe pelas redes sociais, ligue a televisão, veja a internet e perceberá o que digo. Não sabemos nos alimentar psiquicamente. Deveria existir nas universidades um curso de nutrição psíquica. Será que cuidamos do psiquismo? Será que cuidamos do psiquismo das nossas crianças? Filho, diz o pai, você tem de ser o melhor, sempre o melhor.


É sua obrigação passar no vestibular, porquanto estudou em escola particular. Não, meu filho, nada de escolher esta profissão pois não dá dinheiro e você precisa ser alguém na vida. Já vi muito isso acontecer. E quando não “atropelamos os filhos” fazemos com nós mesmos. Estou com pressa. Não tenho tempo. A vida anda corrida. Culpa do governo. O mundo é dos espertos. Teori foi assassinado. Elvis não morreu.


É pressão para todo lado! E, então, passamos a alimentar nosso psiquismo com “porcarias”. Engordamos. Ficamos mais pesados, mundo trovejando, vida complicada. Estresse, remédio para insônia, reclamações contumazes... Bons livros, pensamentos edificantes, conversas amenas, troca de experiências agradáveis são algumas das “alimentações saudáveis” para a mente.


É preciso, pois, haver equilíbrio neste estilo de vida, caso contrário, teremos um corpo legal mas viveremos estressados, negativos, perturbados e, pior, com síndrome de perseguição. Eis o ponto: cuidar do corpo sem esquecer-se da mente, da alimentação psíquica saudável. É como dizia nosso Shakespeare: “Há mais coisas entre o céu e as células do que sonha nossa vã filosofia”.

O autor é colaborador de Opinião

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