45 anos se passaram. E como passaram rapidamente! Naqueles tempos (12/02/1972) eu ainda não tinha tantos problemas geriátricos como os tenho hoje. Lá, então, tudo parecia etéreo e eu simplesmente flutuava no ar, como se fora feito não de carne, mas de gás hélio. Como é engraçada a vida. Tão engraçada que nem dá para lembrar momentos de tristeza, fazendo com que tudo de bom se realce e apague momentos ruins, difíceis... Quem não os tem?
Ainda me lembro do exato momento em que a conheci, quase 6 anos antes. Um amigo comum fez as apresentações: "Maria de Lourdes, este é o Carlos Roberto". Não precisou falar mais nada. Naqueles tempos (setembro de 1966) tínhamos o costume de promover reuniões dançantes, hora na casa de um, hora na casa de outro. Bebidas, cada um levava a sua e parece que hoje esse costume (olha a crise aí, gente!) voltou à moda. E foi numa dessas domingueiras dançantes que se deu o reencontro. Vou explicar esse "reencontro".
Papos, papos e mais papos. Conversamos muito. Era como se nos conhecêssemos de há muito e falávamos um para o outro das coisas de que gostávamos. E havia empate. Hoje sabemos que esse encontro, esse papo sem fim, esse relacionamento, tudo, já havíamos combinado antes de nossa volta para esse mundão de meu Deus. Estava escrito nas estrelas. Nós até nos esquecemos desse "conchavo", mas que existiu, existiu. E viemos para, juntos, um dar apoio ao outro, dar amor ao outro, se doar ao outro, criar filhos e ajudar a criar netos, mantendo os rebentos sob nossas asas como eternos pais/avós corujas, que somos. E nos orgulhamos do que fizemos. Não há arrependimentos.
Eu, moleque de 20 anos de idade, tinha sido recém promovido a Sargento do Exército. Ela cursava letras e era telefonista da CTB. Eu em São Paulo e ela em Bauru (as famílias daqui, ambas). No entanto, não havia distância entre nós. Nem após briguinhas deixávamos de nos ver. Não conseguíamos ficar longe um do outro.
Nos momentos mais difíceis ela sempre me procurou, me ajudou, me apoiou. Passou por situações terríveis ao lado de meus pais e alguns amigos, buscando me socorrer. Tempos difíceis aqueles. Sobrevivi. Talvez não tivesse sobrevivido sozinho. Mas, como estava escrito nas estrelas, juntos superamos os obstáculos e estamos aqui, juntos, por que crescemos juntos, buscamos evoluir juntos e estamos bem. Somos felizes.
Procuro me imaginar sem ela. Não consigo entender. Quando fico fora de casa, sem ela, não durmo. Sofro. Saudade mata, sabiam? Ainda outro dia falei disso para ela e ela me disse simplesmente isso: igual... idem... Assim, canto aos quatro cantos esse amor.
Maria de Lourdes (Malu) Tezani Pittoli, você é o amor da minha vida e ponto final.