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Em unidades de urgência, fila por internação já chega a 45 pacientes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr./JC Imagens
PS Central em foto recente: do total de pacientes na fila, 31 estavam por lá e no PAI até a tarde

Problema crônico da rede pública de saúde em Bauru, o número de pacientes em unidades de urgência e emergência à espera de vagas internação voltou a alcançar níveis elevados nesta semana. No início da tarde dessa terça-feira (14), 45 doentes aguardavam na fila, 16 deles há pelo menos três dias.

No caso mais extremo, um homem de 51 anos estava há 11 dias no Pronto-Socorro Central (PSC), esperando a liberação de vaga hospitalar, segundo informações que constam no site da Prefeitura. Do total de pacientes, 31 estavam no PSC ou no Pronto Atendimento Infantil e os 14 restantes distribuídos nas quatro UPAs da cidade. 

No início da noite, a quantidade já havia baixado para 37 doentes precisando de internação, mas, ainda assim, trata-se de um número elevado. Entre elas, está uma paciente de 62 anos, cujos familiares procuraram o JC para denunciar a situação vivida por quem depende da rede pública. Uma amiga, que preferiu não se identificar, relata que a mulher está desde sábado no PSC com hemorragia no intestino e que a família teme pela piora do seu quadro de saúde.

“Ela precisa de cirurgia. O sangue está saindo pelo reto. Agora, os parentes procuraram a Defensoria Pública”, conta, ressaltando que a medida visa obter liminar para assegurar a vaga com maior agilidade. 

Até o final dessa terça-feira (14), a paciente continuava no Pronto-Socorro mas, conforme alegação da assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, o quadro de hemorragia estava normalizado.

RISCO

Malavolta Jr./JC Imagem
Outro ângulo do PS: discussões para as “ações de melhora”

À pasta, cabe a tarefa de solicitar, quando necessário, os leitos de internação à Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), órgão vinculado ao Estado e responsável, enfim, pela liberação das vagas. 

De acordo com o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru, também vinculado ao governo estadual, a grande maioria dos pacientes do PSC, PAI e UPAs aguardam por leito clínico, sem gravidade ou urgência.

“Mas é evidente que, se há indicação para internação, estes pacientes não estão recebendo o tratamento mais adequado nas unidades de urgência e emergência”, questiona Rose Lopes, membro do Conselho Municipal de Saúde e coordenadora do Conselho Gestor do PSC. 

“É uma situação recorrente para pacientes que têm o quadro de saúde estabilizado. É um risco, porque o quadro dele pode se agravar ao longo dessa espera”, completa.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da secretaria informou que, em reuniões constantes com o Estado, o município vem “discutindo ações de melhorias no atendimento à saúde para a população”. 

Acrescentou ainda que, por meio do Termo de Compromisso entre as duas esferas de governo, a regulação do acesso de pacientes graves - vítimas de trauma, acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio - passará a ser realizada pelo município, através do Samu.

Com a mudança, prevista para ocorrer em meados de abril, estes pacientes terão acesso direto aos hospitais de referência da cidade (Base e Estadual), sem precisar aguardar a liberação de vaga.

Garantia

O DRS também destacou que o acordo firmado entre Estado e município garantirá um atendimento mais ágil e eficiente aos pacientes de urgência e emergência. Por meio de nota, a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde salientou que a pasta mantém cerca de 2 mil leitos nos 68 municípios que compõem a região de Bauru, o que corresponde a 50% do total de leitos SUS existentes em toda região. 

“Além disso, o Estado assume sozinho, sem a participação da Prefeitura de Bauru, a oferta de tratamento em regime de internação na cidade”, completa. 

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