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Emoção da Mocidade, magia da Cartola e sertanejo da Águia agradam no 1º dia

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 5 min

Mesmo os mais fanáticos pelo samba vibraram com o enredo “Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar, eu venho lá do sertão e a Águia de Ouro vai te mostrar #mundo sertanejo”.

Logo na comissão de frente, Pedro Motta Popoff, de 11 anos, interpretou o “menino da porteira”, que na canção morre pisoteado por bois. A licença poética do Carnaval permitiu que ele revivesse e voltasse à festa para tocar o berrante que anunciava a chegada da agremiação. “Foi muito legal, um prazer imenso, até porque estou com amigos”, disse.

O trabalho, a música, a cultura e a fé dos sertanejos brilharam na avenida. A ala das baianas estava caracterizada de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e dos rodeios. “A gente se sente poderosa, forte, com um algo a mais para cantar”, comenta Cleide Alves de Almeida, uma das baianas.

A mistura do samba com os passos sertanejos permearam coreografia do casal de mestre-sala e porta-bandeira aos cerca de 600 passistas, como Marcio Kabel, que desfila há 21 anos, três deles com o filho Thaike, 7 anos. “Cada ano é uma nova emoção e foi muito gostoso incorporar o boiadeiro”.

Mesmo com os dois pés operados recentemente, o carnavalesco Jorge Santana percorreu todo o Sambódromo em uma cadeira de rodas, garantindo que tudo corresse bem. E deu certo. “Começamos tarde e tivemos vários problemas. Mas mesmo simples, foi um desfile festivo, com evolução e harmonia nota mil. Estou muito feliz e satisfeito”, avalia.

FALA PRESIDENTE

“Foi um desfile acima das expectativas, todos demonstraram garra. A ala das baianas (vestidas de Nossa Senhora) foi diferenciada e marcante”, Bruno Henrique Gonzaga, presidente da Águia de Ouro.

Beleza e grandiosidade no reino da Cartola

Samantha Ciuffa
O mestre-sala Leandro Barbosa e a porta-bandeira Priscila Lima deram vida à Bela e a Fera na Cartola

Dos clássicos aos modernos, os principais personagens dos contos de fadas desfilaram o enredo “Felizes para sempre no reino encantando da Cartola”.

Vice-campeã em 2016, a Acadêmicos da Cartola investiu nas alegorias e na riqueza de detalhes das fantasias de cada um dos seus 900 foliões. “Pela primeira vez veio com carros alegóricos frente e verso. Trouxe o carro mais alto, o do ‘final feliz’, com 9 metros. E o mais comprido, o do castelo, com 11 metros”, informa o carnavalesco Claudio Goya.

“O desfile foi maravilhoso, emocionou o público e todos na Cartola estavam muito felizes. O objetivo era mudar o visual da escola e ela veio com muito mais brilho e cor”, garante.

Uma das protagonistas da festa, a Cinderela, fez até troca de roupa na comissão de frente e emprestou ao samba a delicadeza do balé. “Foi muito emocionante! A responsabilidade de representar a Cartola é grande, mas a união da escola me deu força para desfilar com alegria e mostrar o amor pela dança”, conta a bailarina Daniela Lopes da Silva.

Quem também fez a arquibancada vibrar foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira, caracterizado de Bela e Fera. “Tenho um filho que toca na bateria e quando ele me viu ficou emocionado. Aí eu senti que tinha que fazer o melhor na avenida pelas crianças, para que elas conheçam o amor pelo Carnaval e pela Cartola”, partilha Priscila Lima.

Os passos foram inspirados na valsa dos personagens e a roupa de fera não atrapalhou a evolução. “Passei muito calor, mas todo o esforço valeu, é uma emoção que vou guardar para sempre”, destaca Leandro Barbosa.

FALA PRESIDENTE

“Este foi um dos Carnavais mais baratos da Cartola, porém, um dos melhores. A harmonia e a evolução da escola fizeram a diferença”, Paulo Madureira, presidente da Acadêmicos da Cartola.

Mocidade Unida coloca coração em desfile

Malavolta Jr.
Mocidade Unida da Vila Falcão contou a história de seu bairro, iniciado em torno da ferrovia

Cantando a história do seu bairro no enredo “Da batalha dos trilhos às glórias da Panela”, a Mocidade Unida da Vila Falcão fez a arquibancada vibrar e cantar seu samba.

Campeã do ano passado, a agremiação levou para a avenida os pioneiros da ferrovia, os indígenas, a primeira capela dedicada a São Benedito, a torre que simboliza a faculdade instalada no bairro e as referências ao esporte, com o Noroeste e o Bauru Basquete, que têm seu estádio e ginásio na Vila.

Seus 600 componentes cantaram com amor e empolgação toda essa história, resultando em um desfile caloroso e emocionante. Prova disso foi a evolução apaixonada do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Tobias Terceiro e Roberta Porcino. “A emoção é indescritível, ainda mais porque sou nascido e criado na Vila Falcão”, compartilhou ele.

Emocionante também foi a participação da rainha de bateria, Natália Bertizoli, que sambou e tocou junto com a Bacharelado do Samba. “A gente tem a escolinha de bateria e faço parte como ritmista. Treinei bastante o timbau esse ano, mas já toco chocalho e tamborim. Eu me envolvo muito e a gente se ama, é uma família de verdade. Dá vontade de chorar só de lembrar”.

Por falar em família, Dirce do Ó desfilou na ala das baianas com as netas Laura, 9 anos, e Giovana, 13 anos. “É uma alegria que vou guardar e que elas vão ter saudade para sempre”, emociona-se a avó.

O carnavalesco Flávio Silveira, que estreou em Bauru esse ano, aprovou o desfile. “A Mocidade veio com muita garra, brilho, detalhes perfeitos, carinho e vontade de vencer. O pessoal canta e anima do começo ao fim. Amei!”.

FALA PRESIDENTE

“O desempenho e a alegria dos foliões ao descer a avenida me deixou feliz. A bateria é o nosso xodó, espero que toque o coração dos jurados”, Jair Fontão Odria, presidente da Mocidade Unida da Vila Falcão.

Crítica em som provoca adequações

Após reclamações de falha no som do Sambódromo no primeiro dia de desfile, o secretário de Cultura, Luiz Fonseca, passou a tarde desse domingo (26) no local junto com técnicos da empresa avaliando o problema. “Nada chegou oficialmente até mim, mas ao saber do ocorrido questionei a empresa, que reconheceu uma falha pontual na transmissão em algumas caixas”, comenta o secretário. “Iremos apurar as responsabilidades e corrigir isso, para que não haja mais problema”, acrescenta.

A reclamação foi feita, no último sábado (25) ao JC, pelos presidentes Paulo Madureira, da Acadêmicos da Cartola, e Jair Fontão, da Mocidade Unida da Vila Falcão.

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