Tribuna do Leitor

Explicando aos familiares a reforma da Previdência

Osvaldo Gradella Júnior
| Tempo de leitura: 3 min

Os movimentos políticos recentes no país tinham como bandeira principal a corrupção realizada por um único grupo de poder, ou como diziam, tratava-se da mais extensa corrupção da história do país. Discurso antigo e apelativo pois Carlos Lacerda falava a mesma coisa de Getúlio Vargas e tivemos poucas mudanças em relação a isso nos últimos anos no Brasil. Se formos a fundo, o tradicional jeitinho brasileiro é a apologia da corrupção, independente da escala e todos se orgulham disso quando resolvem suas pendengas dessa forma. O patriarca da Odebrechet confirmou ao Juiz Moro que a história do caixa dois é muito antiga. Porém toda essa parafernália carregada de moralismo cínico não serviu para discutir a corrupção na Previdência, que se expressa por desonerações fiscais, dívidas imensas das grandes empresas e utilização do dinheiro para obras faraônicas que não viraram nada.

Desde a criação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs) em 1933, que os grandes empresários metem a mão no dinheiro do trabalhador. A indústria de base foi construída com o dinheiro dos IAPS, a Ditadura Militar agradou os grandes empresários com o dinheiro da Previdência. Ou seja, a Previdência não está falida, mentira deslavada, mas sim roubada descaradamente pelos integrantes desse governo que quer reformá-la. Para agradar quem? O setor financeiro e os fundos de pensão. Precisam obrigar os trabalhadores a fazerem previdência complementar privada e sustentar esse setor, responsável pelas crises sucessivas do capitalismo e do endividamento dos Estados.

O setor financeiro é a expressão máxima da exploração capitalista, pois não produz nenhuma riqueza e nenhum bem a sociedade. Somente os especuladores que não produzem nada é que se beneficiam com isso, ou aqueles que querem esconder o dinheiro da corrupção ou ganho ilegalmente.

Nesse sentido, o que os integrantes desses movimentos vão dizer a suas esposas, seus filhos e netos no futuro? Queridos familiares, fizemos um grande movimento nas ruas e derrubamos os corruptos de um único partido e em troca fomos agraciados com uma proposta de Reforma da Previdência que não era nossa bandeira, mas seria a salvação do país! Essa reforma salvadora impõe que eu e sua mãe, que ainda não completamos 50 anos, só poderemos aposentar quando tivermos 65 anos, independente de quanto tempo já trabalhamos e quanto tempo já contribuímos com a Previdência. Mas tudo bem, o trabalho enobrece! Se tivéssemos mais de 50 anos, iríamos pagar um pedágio de acordo com o que falta para completar o nosso tempo de aposentadoria. Mas tudo bem, se estivermos com saúde, certo?

Para receber o teto integral da Previdência precisamos contribuir com 49 anos, o que para quem começou aos vinte anos e nunca parou de trabalhar, serão somente aos 69 anos. Afinal com essa idade estaremos em plena forma física e mental. Seria um desperdício para a produção se eu aposentasse antes. O teto da Previdência hoje equivale a praticamente um salário mínimo do DIEESE, que é calculado a partir da série histórica do poder de compra do salário mínimo na sua origem. Ou seja, trata-se somente do necessário para sobreviver, caso nada aconteça ou não ocorrer nenhum problema de saúde.

Essa é outra questão, fala-se da falência da Previdência "esquecendo" de que ela faz parte da Seguridade Social que, pasmem, é superavitária! Ou seja, é uma picaretagem atrás da outra, realizada pelo governo que aprovou o impedimento da ex-presidente em nome da salvação do país. Porém, "esqueceu" de avisar aos manifestantes que seriam eles que pagariam a conta junto com todos os trabalhadores. Só ficam de fora, os amigos do rei do Legislativo, do Judiciário, das Forças Armadas.

Ah! Quando um de nós os deixar, o outro cônjuge receberá somente 50% de pensão. Afinal, 2 salários mínimos (o meu e o dela) para uma só pessoa que não faz mais nada, é muito dinheiro. Não é necessário viver como um marajá!

Se não lutarmos hoje, não teremos futuro! Exceção: o Michelzinho!

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