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Brasil joga contra Paraguai já com chance de levar vaga antecipada para Copa


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Pedro Martins/MoWA Press
Tite e Neymar na coletiva de imprensa que antecedeu o confronto de hoje, que pode sacramentar presença na Rússia, em 2018

A seleção brasileira volta a jogar no Itaquerão, nesta terça-feira (28), às 21h45, quase dois anos depois da primeira passagem pelo local. E o retorno é com ambiente parecido em termos de otimismo. Contra o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa da Rússia, a equipe joga para uma torcida eufórica, em estádio lotado e com fé no início de uma trajetória rumo ao título mundial.

A vinda anterior do Brasil ao local foi na abertura da Copa de 2014, quando bateu a Croácia de virada por 3 a 1. Naquela ocasião a equipe desfrutava de popularidade pela conquista no ano anterior da Copa das Confederações e tinha a confiança da torcida na busca pela taça.

A atual seleção recuperou essa relação positiva com o público, como existia no início do último Mundial. O segredo da reação foram as sete vitórias conquistadas pelo técnico Tite nas Eliminatórias desde que assumiu o cargo em junho.

A confiança foi restaurada e terá contra o Paraguai o ápice deste início de trabalho, por ser o estádio onde o treinador mais foi vitorioso e teve 83% de aproveitamento dos pontos como comandante do Corinthians.

"É preciso ter naturalidade (com o bom momento). Não posso deixar que os atletas fiquem felizes, e eu também, mas não posso não ficar feliz. Mas isso não facilita em nada nosso trabalho no enfrentamento com o Paraguai", disse Tite.

O estádio deve estar lotado, pois até ontem restavam apenas 2,7 mil ingressos à venda da carga total de 46,8 mil. A seleção vem de goleada sobre o Uruguai, por 4 a 1, em Montevidéu, e pode conseguir nesta rodada a classificação antecipada para o Mundial. Para isso, terá de bater o Paraguai e torcer por derrotas do Equador para a Colômbia, em Quito, e do Chile para a Venezuela, em Santiago.

Essas condições recuperaram o favoritismo abalado nos últimos anos. O Brasil vive o otimismo e um bom momento que até preocupa a comissão técnica. Além da acomodação, o temor é que a ansiedade da torcida por nova atuação convincente possa incomodar o time na busca por superar a esperada retranca adversária para conseguir o primeiro gol.

Tite fechou o último treino, realizado neste tarde de ontem no Itaquerão. Apenas os 15 primeiros minutos foram abertos aos jornalistas. O período mostrou a ausência de Roberto Firmino. O atacante está com dores de garganta, foi poupado da atividade e deu lugar a Diego Souza.

No trabalho realizado no gramado, Tite posicionou dois times. A comissão técnica vai aguardar a evolução da recuperação de Firmino e conta com a escalação do atacante.

Tite vai fazer uma mudança em relação ao time que goleou o Uruguai, na última quinta. O treinador se viu forçado a substituir o titular Daniel Alves, que recebeu o segundo cartão amarelo em Montevidéu e precisará cumprir suspensão automática. O substituto será Fagner.

Neymar diz viver sua melhor fase e voltará a ser capitão

O Neymar na melhor fase da carreira, mais maduro e menos no centro das atenções da seleção brasileira é quem será o capitão da equipe nacional hoje, contra o Paraguai, pelas Eliminatórias. Todas essas definições vieram do próprio jogador, que disse ontem viver o melhor momento de sua trajetória como jogador.

O atacante do Barcelona receberá pela primeira vez a faixa depois da chegada do técnico Tite. O rodízio de capitães pela primeira vez vai contemplar o camisa 10, um prêmio para quem diz estar mais preparado.

"O importante é o modo de agir e de pensar, melhorar e eu venho melhorando no quesito tudo. Me estressei muito com pancadas, mas hoje estou mais tranquilo. Me vejo mais centrado", disse o jogador. "É o melhor momento da minha careira. Fico feliz e espero manter essa média elevada de jogos jogando bem", afirmou

Neymar havia sido capitão pela última vez nas Olimpíadas e depois pediu para não ser nomeado para o posto novamente. A mudança de postura foi um trabalho de Tite, responsável por convencer o atacante a repensar.

"A decisão que tomei após a Olimpíada foi pelo que houve e pelo que falavam. Senti que não era o momento de exercer essa função. Com os meses de trabalho do Tite, além do grupo ser maravilhoso, é por ele, que vale qualquer esforço", afirmou.

O artilheiro do Brasil nestas Eliminatórias, com cinco gols, tem vivido um momento de menos holofotes. As boas atuações coletivas da equipe nas Eliminatórias, como os três gols de Paulinho sobre o Uruguai, tiraram do atacante do Barcelona o status de ser a única esperança da equipe para resolver os jogos.

Tite teve essa percepção e procurou nos jogos anteriores incentivar o espírito coletivo, antes de ver a seleção preparada para voltar a ter como capitão um Neymar mais experiente. "Ele merece a tarja, é um líder técnico, um garoto amadurecendo com uma série de pessoas desumanas, com o enfoque que estava todo em cima dele. Ele passou por muita coisa", elogiou o treinador.

O camisa 10 do Brasil tem excelente histórico no Itaquerão, onde jogou duas vezes. A primeira aparição dele foi na Copa de 2014, quando marcou dois gols na virada por 3 a 1 sobre a Croácia, pela abertura da competição. O primeiro foi em um chute de fora da área para empatar a partida e o outro, já no segundo tempo, foi para converter pênalti polêmico sofrido por Fred.

O retorno dele ao local foi no ano passado, novamente com atuação decisiva, pelos Jogos Olímpicos. Nas quartas de final, contra a Colômbia, Neymar cobrou a falta que abriu o placar na vitória por 2 a 0. O resultado valeu a classificação à semifinal do torneio.

O jogador de 25 anos tem 51 gols marcados em 76 jogos e vive grande momento no Barcelona. Neymar ressaltou que não procura se comparar a Cristiano Ronaldo e Messi em uma eventual disputa para ser o melhor do mundo. "São dois craques em alto nível há dez anos. Os admiro, um está ao meu lado, venho aprendendo muito com ele. Só quero ser melhor do que eu, me superar todos os dias", disse.

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