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Prefeitura corta ponto de grevistas e Gazzetta não aceita a nova proposta da categoria

Marcus Liborio
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Marcus Liborio 
A nova proposta da categoria foi apresentada aos secretários da Administração e de Finanças, David Françoso (à esq.) e Everson Demarchi, e ao vice-prefeito Toninho Gimenes 

A prefeitura começa a descontar os dias parados dos servidores municipais em greve a partir desta quinta-feira (6). O comunicado foi feito nessa quarta-feira (5), quando era realizada assembleia para votar nova contraproposta da categoria, entregue ao Executivo durante a manhã. Na noite deste mesmo dia, o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) voltou a afirmar que não tem mais como negociar e que a oferta apresentada na última terça-feira (4) é a que estará no texto enviado à Câmara.

A paralisação completa dez dias nesta quinta, com adesão de 481 funcionários, segundo o município. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) fala em 500 trabalhadores parados. 

Em nota enviada à imprensa sobre o corte do ponto, o prefeito justifica a medida dizendo que o governo esgotou as possibilidades de negociação e que o desconto é amparado em lei, por jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Informou ainda que a prefeitura realizou várias rodadas de negociação com o Sinserm e a última proposta, apresentada na terça, já teria sido transformada em Projeto de Lei, para posteriormente ser encaminhado para votação na Câmara Municipal.

Advogado do sindicato, José Francisco Martins critica a atitude da prefeitura ao estabelecer o desconto dos dias parados sem tentar novas negociações. "No contexto que foi colocado, nós entendemos que essa decisão é truculenta e com viés de retaliação", diz.

Apresentada na terça-feira (4), a contraproposta do município antecipa o vale-compra para dezembro e a vantagem pessoal de R$ 80,00 também para o último mês do ano (para quem ganha acima de R$ 2 mil). Foram mantidos, contudo, os 2% de reposição salarial e o abono-refeição de R$ 350,00.

Simultaneamente ao comunicado de Gazzetta sobre o corte de ponto, os servidores municipais em greve retomaram mobilização nesta quarta, para elaborar uma nova proposta que foi enviada ao Palácio das Cerejeiras ainda durante a manhã dessa quarta (5).

O texto atualizado reivindica alteração em alguns prazos dos benefícios, como a vantagem pessoal de R$ 80,00 (para quem ganha acima de R$ 2 mil): R$ 40,00 a partir de março de 2017 e o valor integral a partir de dezembro. A categoria pede ainda a antecipação do aumento do vale-compra (de R$ 392,00 para R$ 410,00) já a partir de agosto deste ano.

As mudanças foram apresentadas por uma comissão formada por servidores e representantes do sindicato aos secretários de Finanças e da Administração, Everson Demarchi e David Françoso, respectivamente, e ao vice-prefeito Toninho Gimenes - já que Gazzetta cumpria outro compromisso no momento.

SEM ACORDO

Françoso prometeu ao sindicato, durante a reunião, que a prefeitura reveria novamente os impactos da contraproposta apresentada nessa quarta (5). E, caso ela fosse acatada pelo município, seria possível alterar o Projeto de Lei antes de encaminhá-lo para votação na Câmara.

"Mesmo o prefeito já tendo decidido por uma situação e ter dado encaminhamento em algumas decisões, acolhemos a proposta e levaremos novamente para análise. Em princípio, porém, parece não ser viável, pois o nosso impedimento é o aspecto financeiro", reiterou, pela manhã.

No início da noite, o prefeito disse ao JC que não irá acatar as novas exigências feitas nesta quarta pela categoria e confirmou que o texto a ser enviado à Câmara é o que já está pronto.

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