Tribuna do Leitor

'A ameaça é real'

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 2 min

Quando um ministro do STF diz em uma entrevista a uma revista de circulação nacional que a Lava-Jato corre grande risco de não punir os políticos envolvidos em corrupção, devido ao foro privilegiado (criado para dar uma certa proteção institucional à autoridade), é porque está na hora de ser mudado este privilégio. É preciso criar a cultura da igualdade da justiça, valendo para todos. A impunidade e o compadrio nos trouxeram para um país devastado pela corrupção.

É impossível não sentir vergonha do que está acontecendo no Brasil. É a revelação de um país feio, triste e desonesto, a corrupção adquiriu níveis espantosos e endêmicos, é um fenômeno generalizado, tornou-se um modo de vida para uns e um meio de negócios para outros. Onde você destampa, há coisas erradas, pela via dos atalhos o país não escapa de seu labirinto. É preciso requalificar a política e informar aos eleitores a importância da ética, somente a sociedade e a imprensa brasileira têm um grau de maturidade que pode dificultar certos arranjos.

É surpreendente a manifestação de esquerdistas serem contrários à Lava-Jato, quando deveriam se entusiasmar com o fato de, "pela primeira vez na história do Brasil, uma elite branca milionária estar temerosa de perder seus bens e a liberdade." Para a esquerda, nada tem valor se não for obra e exclusivo benefício dela. O mesmo cinismo que o ex-presidente Lula demonstra ao traçar estratégia para mobilizar asseclas e multidões em repúdio à iminência de sua prisão - fruto de tantos desatinos que cometeu.

Precisamos urgentemente que homens e mulheres mais qualificados voltem para a vida pública, o Brasil não suporta mais políticos corruptos nem aventureiros. Como seria bom poder votar em personalidades como Moro, Karnal e tantos outros que deveriam estar lá. Chega de "angorá", "gato angorá", italiano, brahma, e outros mais apelidos dados pelas empreiteiras delatoras, são milhões de reais surrupiados dos brasileiros que foram cair nos bolsos da classe política mais corrupta do mundo.

Não há como crescer sem transparência, num sistema em que políticos precisam dar retorno aos "investimentos" do cartel das empreiteiras que tomaram o país de assalto. Algum pacto deve ser construído, com limpeza ética de fato, construção de debates de ideias, não de pessoas. Agora, se queremos viver num país que um dia chegue aonde estão o Canadá, Japão, e algumas nações da Europa, precisamos pensar em justiça de verdade, se caixa dois é crime, deve ser punido quem transgrediu a lei, mesmo sendo difícil ponderar o passado com olhos no futuro, é impossível crescimento econômico sem ética pública. Precisamos de uma lei eleitoral para 2018 do tipo distrital, onde elegemos e vigiamos bem de perto os eleitos, sem listas previamente "arranjadas" pelos donos dos partidos. Queremos votar no realmente melhor para todos os brasileiros e não só para os políticos.

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