| Globo/Raquel Cunha |
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| Ludmilla vai aposentar suas perucas: ela cortou “bem baixinho” e admitiu que não sabe como é seu cabelo natural pois usa química desde os 7 anos |
Marca registrada de Ludmilla, as perucas (longas, lisas e coloridas) vão deixar de fazer parte do look da cantora em breve. Sim! Ela decidiu assumir os fios naturais e fez o anúncio semana que passou.
A cantora de funk brasileira contou à imprensa que, alisava as madeixas desde os sete anos de idade e, por conta disso, já nem se lembrava como era o seu cabelo original. A mudança no visual vai ser mostrada em breve e, ela já está sendo assediada para virar embaixadora de uma linha de produtos para cabelos crespos.
Mas independente da questão comercial, ou não, a decisão da cantora ilustra uma nova tendência no empoderamento, (ou seria melhor dizer na libertação?) das mulheres negras: assumir os cachos naturais.
Saem as chapinhas, os alisamentos e entram em cena os crespos e cacheados. Com muito orgulho, mulheres de Bauru mostram seu talento e personalidade, ao assumirem suas madeixas.
Greice, contra as ideias deformadas
Greice Luiz, jornalista e empresária, tem muitas histórias sofridas de preconceito para contar. “Ainda hoje, ouço sempre gente perguntando quando é que o patrão ou a dona da loja chegam”, conta, a respeito do seu trabalho, na loja que possui em uma galeria da praça Rui Barbosa, especializada em moda e estilo afro. Ela poderia se abater, mas não. É lutadora e faz parte do movimento “Turbantaço”, participa de eventos como a “Marcha do Orgulho Crespo” e está sempre engajada na valorização da raça.
“É é importante a valorização da própria identidade! No caso, a classe dominante, os ex-senhores de escravos, sempre desqualificaram a nossa identidade como que ser negro é feio, cabelo de textura afro é duro e crescemos com a ideia deformada do que é ser negro”, lembra.
E é a favor de que se assuma o cabelo crespo, mas também do uso do turbante, que tem origem na Ásia, mas entrou no Brasil através da população negra. “Nós o utilizamos para valorizar a expressão do rosto e ressaltar a identidade dos nossos ancestrais”.
Titta, a do cabelo bom
| Douglas Reis |
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| Cabelo crespo é cabelo bom Titta Queiroz dos Santos |
Titta Santos de Queiroz tem mais de uma profissão: designer, diagramadora e “cabeleireira”. Mas é mais do que isso: é uma estudiosa do cabelo afro. “Já me formei no assunto, fiz alguns cursos para me especializar, mas temos que estudar sempre, né?”, diz, com orgulho, exibindo o slogan do seu projeto: “Cabelo crespo é cabelo bom”, um contraponto ao ditado popular de que negro “tem cabelo ruim”.
Para começar, diferencia cachos e crespos. “As cacheadas têm se aceitado muito mais. As crespas ainda têm certo medo da textura do cabelo, querem definição, e alguns crespos não formam cachos. E aí rola uma frustração”. E é aí que ela entra: “Meu papel é esse: mostrar que o cabelo crespo é bacana também. Que ele é bem versátil e temos várias possibilidades”. E vai além: desmistifica a ideia de que os produtos e tratamentos são muito caros e exigem muito mais.
“Os cuidados são diferentes, só isso. Os crespos e cacheados exigem tanto quanto o liso. Muitas pessoas, principalmente crianças, não fazem a menor ideia de como cuidar da cabeleira, acham que é trabalhoso e caro, e não é nada disso.”
Nina, desde quando empoderar nem era moda
| Douglas Reis |
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| Nina Barbosa |
Nina Barbosa tem uma cabeleira farta, 48 anos. Os grisalhos são questão genética (“os brancos já apareceram aos 30 anos”) e ela é uma das fundadoras do movimento “Turbantaço”.
Ela tem o poder e a consciência da sua luta desde quando a palavra empoderamento nem era moda.
O termo é utilizado para denominar o processo no qual uma pessoa se conscientiza e “se dá conta do seu poder, do seu valor”. Incentivadora, aderiu à “Marcha do Orgulho Crespo”, um movimento nacional de valorização da estética afrobrasileira. Trava sua luta contra o preconceito há décadas. “Infelizmente, nós temos que provar cinco vezes mais, sermos capazes e sofremos três vezes mais preconceito: negra, mulher e pobre”.
Mãe de um rapaz de 16 anos e uma menina de 30 anos, “que por ter pele mais clara, não sofreu tanto preconceito e nem é tão engajada como eu, acho que já pegou uma fase um pouco melhor”, diz, ostentando um sorriso largo, vai além no termo empoderar, que para ela é se capacitar e se aceitar.
“Amo meu black. Já pintei de preto, chocolate, loiro e por aí vai. Me libertei. O ano todo de 2015 fiquei sem passar tintura. E desde então nunca mais. As pessoas que me conheceram antes e depois da tinta preferem assim, ao natural. E eu também”.
| Douglas Reis |
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| Anielly Stephanie de Oliveira assumiu após a gravidez e adorou |
Anielly, o exemplo de mãe para filha
Alheia aos engajamentos, a atendente comercial Anielly Oliveira, 24 anos, e mãe de Pietra, de 3, se viu obrigada a assumir seus crespos durante a gravidez, quando não poderia usar química. Foi um ato libertador. Hoje, ela acha lindo e convive muito bem com o cabelo. “Na verdade, é uma questão de exemplo. Como eu cresci com a minha mãe alisando, queria ser igual à minha mãe. E quando pude já fiz todos os tipos de alisamento”.
Hoje, usa moicano e faixas. “Encontrei meu estilo. E eu e a Pietra andamos por aí com a mesma faixa, bem ao estilo ‘tal mãe, tal filha’. Dá o maior apoio não só à filhinha, mas também a quem quer assumir suas madeixas. “A coisa mais legal é quem assume o que é de verdade”.



