Prezado leitor,

Sentir-se cansado é algo rotineiro e todos nós vamos ter essa sensação ao longo da vida. Um dia no trabalho mais atribulado, o fato de não conseguirmos parar durante a semana... Todo mundo sabe por que anda se sentindo casado, isso é fato. A questão é quando o cansaço anula seu ânimo pra qualquer atividade e, por mais que você descanse, siga desanimado e sem a menor energia para as atividades cotidianas. Por exemplo, quando você já acorda sem disposição pra encarar o novo dia. Nesse ponto, o problema pode ser a fadiga crônica. Muita gente sofre com essa condição sem nem saber. Entenda a seguir.

O que é a fadiga crônica?

Pra quem não sabe, é a glândula supra-renal quem comanda a ação e o movimento do nosso organismo secretando vários hormônios esteroides. O mais importante deles é o cortisol, que ajuda o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuir para o funcionamento do sistema imune e manter os níveis de açúcar no sangue constantes, assim como a pressão arterial. Ou seja, não é pouca coisa, não. O estado de estresse crônico em sua fase mais avançada ocorre devido à falência parcial da glândula supra-renal, o que provoca a diminuição gradativa do cortisol. E assim se torna mais difícil você se recuperar de um simples cansaço.

Quem pode ter fadiga crônica?

Tanto faz se é homem ou mulher, desde que a pessoa abuse do seu organismo no auge da vitalidade, não poupe sua energia vital ou também não limite seu estresse diário, independente do grupo etário, da classe social e étnica a qual pertençam, ela pode manifestar esse tipo de fadiga. Basicamente, são aquelas pessoas que nunca param quietas, praticam esporte em excesso, trabalham sem parar, dormem mal e não se alimentam bem. Nosso corpo precisa de tempo e energia para se recuperar de um dia agitado. Normalmente, é durante o sono que os hormônios se regulam e preparam o corpo para mais um dia.

E nem sempre é a vida agitada que causa um mau funcionamento da supra-renal: poluentes químicos, radiações, toxinas de fungos, bactérias, parasitas e vírus podem ocasionar o problema também.

Detalhe importante: quando existe uma queda acentuada no nível do cortisol, consequentemente há um grande impacto na qualidade de vida da pessoa, além do aumento da velocidade do envelhecimento.

Quais são os sintomas?

A deficiência de cortisol faz com que uma pessoa sinta dificuldade em controlar sua própria vida. Com menos cortisol, a pessoa pode ficar mais distraída, confusa e, claro, estressada. A irritabilidade aumenta com os dias, ou seja, alguém que era tranquila pode ficar briguenta, irritada, sentindo-se injustiçada e por aí vai. Além disso, há outros sinais:

Necessidade de café ou energético para começar o trabalho pela manhã.

Vontade maior de salgados, gordura e alimentos com alta proteína, como carne e queijo.

Aumento dos sintomas da TPM nas mulheres e fluxo menstrual mais intenso.

Dor na parte superior das costas ou no pescoço, sem razão aparente.

Sente-se melhor em férias prolongadas, pois o estresse diminui.

Dificuldades em acordar pela manhã.

Episódios recorrentes de confusão mental associados à tontura.

Tendência a ganhar peso e não perdê-lo, especialmente em torno da cintura.

Pega gripe e outras doenças respiratórias com facilidade. Além disso, os sintomas tendem a durar mais tempo.

Tendência a tremer quando esta diante de muita pressão.

Redução do apetite sexual.

Tendência à pressão baixa.

Dor nas articulações.

Olheiras escuras.

Falta de energia no período da manhã e à tarde, entre 13h e 15h.

Sente-se melhor depois de uma refeição. Mas logo volta a se cansar.

Aparecimento de lesões alérgicas e autoimunes na pele como eczemas, urticária, psoríase e etc.

Taquicardia sem causa aparente

Como saber se é mesmo fadiga crônica?

Se você sente os sinais acima citados, precisa urgente marcar com seu médico. A fadiga adrenal só pode ser comprovada com exames clínicos. Vale lembrar que não existe um teste laboratorial que indique a síndrome da fadiga crônica. O seu diagnóstico é feito por exclusão. Por isso, o ideal é buscar a ajuda de um médico em quem você sinta confiança.

Qual o tratamento?

A boa notícia é que parte do problema é fácil de resolver através da alimentação e do sono. Com uma alimentação rica em carboidratos, vitaminas e gordura saudável, em conjunto com um sono reparador, os sinais de melhora são evidentes. Para isso, você precisa estar disposto a encarar mudanças de estilo de vida, ok? A vontade de melhorar deve partir de você, lógico que com o aval de um médico e também de um nutricionista. Não espere mais e agende logo com um profissional!

Um grande abraço e até o próximo domingo,

Daniela Hueb

Médica, CRM-SP 96.027

e-mail: danielahueb@jcnet.com.br

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