Polícia

'Golpe do falso gerente' mira idosos

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Coordenador do SIG de Bauru, Richard Serrano alerta para a sequência de casos na cidade

Fique atento! Um novo crime tem deixado prejuízos aos bauruenses. O chamado "golpe do falso gerente" já vitimou nove idosos em Bauru, só no mês de maio. O alerta é da Polícia Civil, que solicitou as imagens das câmeras de segurança das agências bancárias onde as vítimas têm conta.

Coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG), Richard Serrano explica que, normalmente, os idosos são contatados via telefone e o interlocutor se apresenta como gerente ou representante de alguma instituição financeira, dizendo que houve uma movimentação estranha e a conta precisa ser bloqueada.

Assim que o estelionatário ganha a confiança da vítima, passa a pedir dados pessoais, inclusive, senhas. Quando obtém sucesso, envia um motociclista para buscar o cartão bancário da vítima, dizendo que precisa inutilizá-lo. Com tudo em mãos, o criminoso vai até o banco e realiza saques ou empréstimos.

Serrano observa, ainda, que os nove golpes se deram sempre após as 13h. "Como é próximo ao final do expediente dos bancos, dá tempo de sacar o dinheiro ou realizar o empréstimo e a vítima só toma conhecimento no dia seguinte", descreve.

VALORES

Segundo o delegado, o prejuízo financeiro de cada vítima varia de R$ 3 mil a R$ 20 mil. Além disso, tudo indica que seja um único estelionatário ou quadrilha que esteja aplicando os golpes, devido à semelhança entre uma ocorrência e outra.

Muitas vezes, as informações sobre a vida dos idosos são levantadas via Internet e, depois, somente reforçadas durante a conversa por telefone.

ORIENTAÇÃO

Logo, a orientação é de que nenhum dado pessoal seja passado para desconhecidos. "Quando há, de fato, alguma movimentação estranha, o banco entra em contato, porém, não solicita senhas, nem busca o cartão na casa do cliente", justifica.

Richard Serrano aconselha os familiares a conversarem com os idosos, tanto para não passarem dados via telefone, quanto para não abrirem a porta para desconhecidos, por exemplo. "Os idosos são mais fáceis de serem ludibriados, principalmente, porque viveram em uma época em que se podia confiar nas pessoas. Agora, não dá mais".

O próximo passo será tentar identificar o criminoso ou a quadrilha. Para tanto, já foram solicitadas as imagens das câmeras de segurança dos caixas eletrônicos e, se necessário, a polícia pedirá a quebra do sigilo telefônico das vítimas.

Se identificado e localizado, o autor - ou autores - responderá por estelionato, cuja pena é a reclusão de dois a cinco anos.

CASO RECENTE

O caso mais recente se deu no último dia 25, quando uma aposentada de 87 anos recebeu uma ligação e, do outro lado da linha, a pessoa se identificou como funcionária de sua agência bancária. Na ocasião, disse que o cartão da idosa havia sido clonado e, por isso, enviaria um motoqueiro para buscá-lo. 

O interlocutor informou, ainda, que a vítima teria de procurar a gerência do banco pessoalmente, mas só no dia seguinte. Dito e feito. Quando a idosa chegou à instituição financeira, descobriu que foram feitos diversos saques, pagamentos e, até mesmo, um empréstimo de antecipação do 13.º salário.

Casal até suspeitou do golpe, mas, mesmo assim, perdeu R$ 1.650,00

Ele, de 72 anos, e ela, de 66. Há duas semanas, o casal, cuja identidade será preservada por questões de segurança, foi vítima do “golpe do falso gerente” e perdeu R$ 1.650,00. Na ocasião, uma mulher, que dizia se chamar Vanessa, ligou dizendo que trabalhava no banco onde o homem possuía conta e que alguém havia feito uma compra de R$ 1.450,00 com seu cartão. “No ano anterior, quebraram a janela do carro do meu marido e levaram alguns documentos, fato que reforçou essa ideia”, explica a mulher.

A interlocutora, então, revelou a intenção de confirmar os dados pessoais do homem, com o objetivo de cancelar o cartão bancário. “Nós pensamos que poderia ser um golpe, mas ela sabia dos quatro endereços que já tivemos, além dos nossos e-mails e telefones”, acrescenta.

Logo, ganhou a confiança do casal e pediu para que eles escrevessem uma carta, com todos os dados, solicitando o cancelamento da conta. Em seguida, ela enviou um motociclista até a casa das vítimas para recolher o documento e, claro, o cartão bancário.

Uma hora depois, os idosos receberam outra ligação, desta vez, da verdadeira gerente do banco. Ela informou que alguém pediu um empréstimo de R$ 10 mil, mas suspeitou da situação e decidiu entrar em contato com o cliente. Porém, o golpista já havia sacado R$ 200,00 e feito uma compra de R$ 1.450,00 antes que a vítima, de fato, tivesse feito o bloqueio do cartão.

Agora, a agência ficou de ressarcir o casal.

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