Tribuna do Leitor

O que se pode esperar...

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 2 min

Eu espero, apesar de tudo, que uma manhã ensolarada, uma tarde agradável e uma noite enluarada obtenham um lugarzinho de destaque nos corações das pessoas. Assim, os nossos dias não teriam tantas injustiças, preconceitos, desamor, violência e ingratidão. E os homens não se destruiriam mutuamente por tão pouca coisa.

E por mais fora de moda que possa parecer, espero e acredito que toda essa evolução tecnológica não tenha conseguido acabar com aquele "moleque" que existia dentro de todos nós. Aquele moleque que pegava manga no pomar do vizinho e saía correndo, que jogava bolinha de gude com os amigos, que soltava pipa disputando qual subiria mais alto, que brincava de esconde-esconde com a molecada, que andava de carrinho de rolimã na rua, quase atropelando as pessoas, que não se importava em repartir o lanche que estava comendo com a menina de pintinhas no rosto e trancinhas no cabelo.

Esse moleque que ficou no passado, mas que ainda existe dentro de todos nós e vive sonhando com o dia em que as indiferenças, as desigualdades, as maldades e as incertezas se acabem de uma vez por todas. O mesmo "moleque" que hoje, apesar de ser adulto, ainda se lembra dos tempos de namoro, quando passeava de mãos dadas com a namorada olhando as vitrines das lojas, que comprava pipoca e sorvete para saborear no banco da praça, que ia todo final de semana ao cinema para ver um filme romântico e roubava discretamente um beijo da namorada, na expectativa de um final feliz...

Que achava que não devia brigar com a turma da outra rua, só para ver quem mandava no bairro todo, que nadava no rio escondido dos pais, que apertava a campainha das casas e saía correndo e que comia goiaba com bicho e tudo. Só assim, unindo aquele "moleque" descontraído de ontem com o ser adulto de hoje é que se poderia viver mais tranquilo e feliz. Trilhando um caminho com objetivos verdadeiros, de pessoas sinceras, honestas e humanitárias...

O que se pode esperar do futuro? Sinceramente eu espero que as faturas do cartão de crédito não estourem o orçamento no final do mês, que os alunos não tenham notas baixas nas provas da escola, que o time do coração não perca de novo e, quem sabe, seja campeão no final do campeonato, que o mundo se transforme em um enorme e gostoso bolo de chocolate e que a vovó continue fazendo crochê em sua cadeira de balanço. E, particularmente falando, vou continuar debruçado na janela do meu coração, esperando você passar...

 

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