É de se imaginar, no meio da grave crise brasileira, que super-herói daria jeito nisso tudo. Logo lembrei de uma ilustração que mostra Superman chegando ao Rio. Lá precisa também, mas seria melhor uma escala inicial em Brasília.
Se bem que Superman é diplomático demais. Gosta de dar suas sinceras lições de moral, sem a devida malícia terráquea. Talvez acabasse vencido pela lábia dos congressistas. Ou engolido pela burocracia do Executivo (que deveria executar mais e burocratizar menos). Fortão, bem-intencionado, o maior de todos... Mas Superman (ou Super-Homem, como queiram) talvez não resolvesse.
Quem sabe Batman? Detetive por natureza (necessitamos de um bom), não leva desaforo para casa e sabe como intimidar seus oponentes. E é humano (apesar de não parecer). Essa condição o coloca em vantagem na hora de perceber se estão querendo levá- -lo na conversa ou corrompê-lo.
A questão é que, sem jogo de cintura para fazer frente ao nosso “jeitinho”, Batman talvez perdesse a paciência logo na segunda rodada de negociações na tentativa de recolocar o País nos trilhos, como diz o atual residente da República. O que o Brasil precisa é de um super-herói incorruptível (como é o caso dos dois aqui citados), mas menos coração mole do que o kryptoniano e mais flexí- vel do que o carrancudo de Gothan.
E se Mulher-Maravilha se candidatasse ao posto de nossa salvadora? Está em alta com filme em cartaz nos cinemas, é guerreira de sensibilidade feminina, destemida sem a ingenuidade kryptoniana... Pode aproveitar que os holofotes estão todos nela para ganhar a atenção do mundo em benefício do Brasil – e certamente não vai cair em conversinha de marmanjo engravatado com cargo a perigo.
O único “porém”, e chega a ser prosaico isso, é o meio de transporte da heroína. Sim, porque um avião invisível em Brasília não vai dar certo. Primeiro que logo vão roubá-lo. Segundo que é tudo o que esses caras mais querem: imagine só transportar drogas e dinheiro vivo sem ser avistado ou detectado?
Chega: os três personagens aqui são da DC Comics. Dos melhores. Mas devemos seguir em nossa procura. Talvez pela Marvel. Talvez um vilão (que, no meio de tantos vilões, acerte a casa). Ou quem sabe até na Turma da Mônica: lá tem o Louco. Só doido mesmo para encarar essa missão.