A Procuradoria-Geral da República (PGR) está apurando a possível existência de um grampo que teria sido instalado em um dos telefones funcionais da instituição, segundo fontes. A informação foi dada pela coluna de Eliane Cantanhêde, no Estado.
De acordo com a coluna, a PGR descobriu que um dos telefones estava grampeado. Oficialmente, a assessoria de imprensa do órgão não se manifestou nesta terça.
A reportagem apurou que a PGR não encaminhou pedido de investigação formal a outros órgãos. A Polícia Federal informou que não vai comentar o assunto.
No Supremo Tribunal Federal (STF), a explicação dada pelo presidente Michel Temer de que a Agência Brasileira de Informações (Abin) não fez qualquer devassa na vida do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, não convenceu a Corte. Diante da desconfiança, ministros pediram reforço na varredura periódica feita em seus gabinetes, para identificar possíveis grampos.
No Planalto, um interlocutor do presidente admitiu que pode ter havido um "monitoramento estratégico" de Fachin por parte do governo, mas não gravação de suas conversas.
MEMÓRIA
Em varredura de rotina feita no ano passado no STF, a segurança da Corte encontrou uma escuta telefônica no gabinete do ministro Luís Roberto Barroso.
O equipamento foi encontrado já desativado. Na ocasião a segurança não identificou se a escuta chegou a ficar ativa em algum momento. O dispositivo estava instalado em uma caixa de tomada embutida no chão, abaixo da mesa do ministro.
No último final de semana, a revista Veja divulgou a informação do suposto uso da Abin, a pedido do presidente Temer, para investigar o ministro Fachin, relator do inquérito contra o presidente no Supremo.
O monitoramento da agência de inteligência teria como objetivo buscar fragilidades que poderiam colocar em xeque a atuação de Fachin na Lava Jato.
A ministra Cármen Lúcia, presidente da Corte, em um primeiro momento, condenou a suposta "devassa ilegal" a Fachin. Após Michel Temer ter negado acionar a Abin para espionar Fachin, a ministra afirmou que não "há o que questionar quanto à palavra" do presidente.