Tribuna do Leitor

Bauru - um vulcão dentro do caldeirão cultura

Ricardo Santana - jornalista, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissi
| Tempo de leitura: 2 min

Participando de discussões a respeito de cultura, área com a qual tenho relação, inclusive profissional em Bauru, percebo o momento de equívoco no encaminhamento de um debate por esquecimento do todo e foco na parte, personalizada no secretário de Cultura de Bauru. Nas redes sociais leio questionamentos do tipo "cadê o secretário de cultura de Bauru?". O agente público "secretário de cultura" é um passante e na pasta de Cultura em Bauru troca-se secretário como se repõe fralda de bebê. Mau hábito.

Nos últimos anos, deu crise na pasta da Cultura, esquiva-se do debate construtivo para o setor, terceirizando a responsabilidade para Elson Reis, funcionário de carreira, e que transita bem em diversos grupos e administra "egos" com paciência. Por tantas vezes que Elson já foi o "cara" da Cultura, não é preciso falar do seu trabalho. Penso que a discussão do momento exige avanço numa direção que não brinque com nomes. Mas que se discuta com a devida seriedade - sem terceirização de responsabilidades - uma política cultural vigorosamente pensada em quem aqui produz e para quem aqui assimila cultura.

Bauru tem tamanho para este passo, mas parece que o medo renega a plano inferior o segmento de cultura do município. Uma cidade da expressão como a de Bauru, referência em uma região importante do Estado, tem acúmulo cultural.

Percurso bauruense - Conversando tempos atrás com João Jabbour, falamos de um eixo cultural fervendo de coisas excepcionais em Bauru. Repare nesta possibilidade de rota: Embarque na Estação Cultura, na Praça Machado de Mello. Siga pelo Calçadão, pare na Esquina da Resistência, onde a Biblioteca Móvel Quinto Elemento faz da leitura a arte dos sábados, ao lado dos turbantes da Nina Barbosa, do raro artesanato da Maisa Crespa. Prossiga a batistar, encontre ambientação com músicos e encenadores de rua. Praça Rui Barbosa, um espaço aberto a manifestações diversas, e que abriga um cantinho cultural na Galeria da Praça, onde Greice Luiz transpõe conceitos de cultura para a moda.

Transversalmente, descendo pela Gustavo Maciel é uma loucura com cardápio diverso aos domingos: a Feira do Rolo. O eixo contínuo segue pela Pinacoteca Municipal, na Casa Ponce, quadra 9 da Antônio Alves; o Centro Cultural, na Nações; e chega-se a um terminal: a extinta Oficina Cultural "Glauco Pinto de Moraes", na rua Amazonas com avenida Cruzeiro do Sul e vindo na direção da Rodrigues, o Sesc Bauru, onde trabalhei na cultura.

Vale relembrar que mentes nubladas decidiram transformar o prédio da rua Amazonas, então todo preparado para a vocação de oficina cultural, num sei lá o que, não sei. Só para frisar que a gente não se esqueceu dessa pilantragem no trato com a coisa pública. Emendando: Como fica a situação jurídica das "entidades, grupos, coletivos e todos" que estão no condomínio cultural Estação Cultura? A infraestrutura básica do prédio também carece de um olhar cuidadoso!

Garimpo no centro - Procurando neste caminho cultural bauruense, há uma infinidade de sebos e lugares fabulosos, como o Extinção Discos, Cinema & Artigos Read more.

 

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