Tribuna do Leitor

Concepção

Alex Martins Pereira - Reginópolis
| Tempo de leitura: 1 min

Permissão divina, alinham os planos espirituais e orgânicos. Desejo cria cenário, características ímpares, lutam, um acotovela seus adversários e segue, há um encontro sincronizado, tornam pares.

Já unidade, vizinho de órgãos e vísceras, fragmento de um organismo, torno hóspede com prazo de repulsa.

Meus contornos tendem a humanizar, dependo de um laço umbilical.

Tudo no seu tempo e ao melhor modo, evolui. Imerso em gravidade vagarosa, fluídica, movimento com resistência viscosa e confortável, que toca toda epiderme.

Conheço melhor as delimitações espaciais, permaneço envolto por bolsa maleável, sem forma geométrica definida. Sinto reflexos emocionais, gerados pela matriz.

Após alguns meses, pulsa uma despedida, que anuncia mudanças e estreita as condições de hospedagem. Rejeição biológica, impõe coragem, como um filhote de rapina a beira do penhasco, auxiliado por forças inatas, preparo-me para ser lançado ao desafio.

A caminho da luz, com destreza instintiva, posiciono de maneira ergonômica, executo um giro, estímulos progressivos me comprimem mas amparam.

Deixo a morada e o desafio passado, com a necessidade de ir à tona respirar, o primeiro fôlego gasto com o choro.

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