Polícia

Trio é preso pela polícia após aplicar "golpe das 3 tampinhas"

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução Internet
O trio fez ao menos quatro vítimas em Bauru

Três homens foram presos acusados de aplicar o “golpe das tampinhas” na região central de Bauru, na tarde do último domingo (9). O trio fez ao menos quatro vítimas, que chegaram a apostar, juntas, mais de R$ 1.500,00. A ocorrência foi registrada pelo delegado Richard Serrano como estelionato e associação criminosa. Ele explica que trata-se de um jogo realizado em uma mesinha com tampinhas e uma bolinha de espuma.

Na prática, as tampinhas são movimentadas continuamente por um dos golpistas e debaixo de uma delas está, ou deveria estar, a bolinha. A competição consiste em adivinhar sob qual tampinha está a bolinha, apostando um determinado valor.

Segundo as supostas regras, a quantia apostada será perdida ou dobrada, dependendo dos acertos e erros do jogador. Segundo Serrano, o golpe é sempre conduzido por várias pessoas, cada uma delas com uma função específica, cujo objetivo é pegar o dinheiro das vítimas.

Os acusados Evaldo Batista, comerciante de 57 anos; Renato Villar Souza Oliveira, autônomo de 35 anos (ambos da cidade de Frutal, MG); e Jefferson Douglas da Silva, soldador de 43 anos (de Sertãozinho – SP) foram detidos pela PM na quadra 1 da rua Júlio Prestes.

Com os três, a polícia apreendeu R$ 6 mil, além de três bolinhas e três tampinhas. Enquanto a equipe policial revistava os suspeitos, quatro pessoas se apresentaram como vítimas do trio.

Uma delas teria apostado R$ 1 mil com os golpistas, outras duas apostaram R$ 150,00 cada e uma quarta pessoa, R$ 450,00. “As vítimas eram induzidas ao erro quanto à localização das bolinhas sob as tampinhas”, detalha Serrano.

Ele destaca que os golpistas expunham parte da bolinha e, enquanto embaralhavam as tampinhas, as vítimas tinham a visão atrapalhada ou a atenção desviada, fazendo com que perdessem o contato visual com os objetos, que eram manipulados. “Assim, perdiam o jogo”.

HÁBIL

O delegado reitera que o golpista que conduz o jogo normalmente é muito hábil no manuseio das tampinhas e da bolinha. Assim, consegue esconde-las facilmente nas mãos sem ser visto, ou ele movimenta as tampinhas no último momento, de forma que o apostador perca.

O objetivo é fazer com que o jogador aposte o máximo possível para tirar dele todo o dinheiro. Por isso, se necessário, podem fazê-lo ganhar algumas vezes para incentivá-lo a continuar nas apostas. “A cada 10 jogadas, as vítimas ganham três e perdem sete”, enumera Serrano.

Segundo o delegado, os três confessaram que participaram em conluio da jogatina mediante simulação de ganhos, apontando Evaldo como o líder do grupo e aquele que ficava na posse dos valores arrecadados durante as rodadas do jogo.

Em defesa, os acusados alegaram que acreditavam que a prática não configurava crime e, sim, contravenção. Confirmaram ainda que montam barracas para executar o jogo em festas por todo o País, como rodeios e feiras agropecuárias. Eles foram recolhidos à Cadeia Pública de Avaí.

'SENTINDO NA PELE'

POR VITOR OSHIRO - EDITOR LOCAL – JC

Muito se fala da lábia dos estelionatários. Porém, toda a situação armada é uma verdadeira armadilha que bloqueia nosso pensamento e extingue nossa racionalidade. Assim, este jornalista que vos escreve quase foi uma dessas vítimas há alguns anos.

Estava em viagem para Bauru com um amigo e o pai dele quando paramos à beira de estrada para tomar uma água de coco. Nisso, chegou um jovem em uma caminhonete. Enquanto nos refrescávamos, ele comprou um vinho e deu como pagamento R$ 50,00. Como o dono não tinha troco, o jovem fez uma aposta. “Vou fazer um truque que faço na faculdade e, se o senhor ganhar, fica com os R$ 50,00. Se eu ganhar, levo o garrafão”.

Com uma bolinha de borracha e três tampinhas amassadas, o jovem escondia a bolinha e embaralhava. Ao fim, perguntava onde estava. Para nós, que estávamos ao lado, o segredo parecia claro: ele deixava a pequena bola sob o dedo mindinho e só a colocava embaixo de uma das tampinhas ao final. Pronto, nos sentimos os mais inteligentes do universo.

Logo após o jovem ganhar do dono da mercearia, uma moça loira que também chegou resolveu entrar no jogo. Ela, que, ao nosso lado, flagrou a estratégia, desbancou o jovem espertalhão. Nisso, meu amigo logo viu a oportunidade. Perdeu R$ 30,00. Em questão de instantes, você não se lembra de nada.

Só quer ganhar aquela grana fácil. Quando estava prestes a apostar R$ 100,00, o pai do meu amigo nos alertou e fomos embora. Um mês depois, passei pelo estabelecimento. Lá, estava o mesmo dono; o mesmo jovem de caminhonete; e a mesma moça loira. A mesma arapuca pronta para deixar bem claro que não existe dinheiro fácil.

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