Cultura

Quando um incidente vira literatura

Marcus Liborio
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Marcus Liborio 
A paixão pelas histórias começou quando Anália tinha 10 anos

Imagine acordar um dia e perceber que perdeu a memória? Este é o enredo do livro "A Força", primeiro de uma trilogia da bauruense Anália Maria Silva de Souza. Com 16 anos, a jovem já deixou sua marca, inclusive, numa antologia portuguesa.

A paixão pela literatura começou quando ela completou uma década de vida. A iniciativa de escrever um livro veio logo depois. A inspiração partiu de uma situação bem inusitada: um pequeno incidente, quando Anália voltava da escola.

"Eu estava na van escolar quando passamos em um buraco e bati minha cabeça no vidro da janela. Aí pensei: 'muita gente, em situações mais graves, perde a memória por conta de pancadas'. Achei, então, interessante escrever um livro sobre isso", conta.

A autora relata que a história, no estilo distopia (filosofia ou processo discursivo baseado numa ficção; as distopias são, geralmente, caracterizadas pelo totalitarismo e autoritarismo) resume-se em uma sociedade sem as recordações do passado.

"Um dia, os moradores acordam e percebem que perderam a memória. A personagem principal se sente sufocada com a situação e começa a buscar repostas. É quando ela é colocada em uma entidade secreta, chamada 'A Força', onde recebe ajuda para compreender os fatos".

Marcus Liborio
Intitulado “A Força”, livro de 210 páginas será lançado em 2017

Entre as mensagens que a obra busca passar está a de valorizar as origens. "A proposta é para que o leitor reflita a respeito de não se ter conhecimento da sua vida passada. Para saber dar valor a quem você já foi um dia", resume Anália. O livro deve ser lançado ainda neste ano, pela Editora Draco, do Rio de Janeiro. O evento que marca o lançamento da obra, de 210 páginas, ocorrerá em uma livraria do Barra Shopping, na Barra da Tijuca. "Depois, vamos lançar em Bauru", adianta a autora.

SEGREDO

Anália manteve em segredo a produção de seu livro. Nem mesmo os pais Pedro Paulo Alvares de Souza e Maria da Glória Silva de Souza tinham conhecimento de que a filha havia se tornado uma escritora precoce.

"A gente não sabia de nada, até que a direção do colégio onde ela estuda nos informou. Ela mostrou primeiro para as amigas, que a incentivaram divulgar. Foi então que minha esposa e eu decidimos apoiá-la, correndo atrás de editoras", conta o pai da jovem.

A autora revela que demorou em torno de um ano e meio para concluir a obra literária. "Eu escrevia mais durante a madrugada", lembra ela, calculando o mesmo período para finalizar cada um dos próximos livros, fechando, assim, a trilogia de "A Força".

Antologia e bienal 

Durante a busca por editora, Anália recebeu proposta de ter uma de suas poesias publicadas na antologia “Antes da Terra, Antes do Céu”, lançada pela editora Chiado, de Lisboa, em Portugal. Ao todo, eram 8 mil concorrentes e somente o trabalho de 1.500 autores entraram.

A escritora bauruense foi selecionada com uma poesia feita para a mãe dela, intitulada “Mulher de Papel” – em menção à profissão dela, que atua em gráfica. “A mulher de papel é uma guerreira/Armadura completa, determinada por inteiro”, diz trecho do texto.

Inclusive, Anália participara da Bienal do Livro 2017, apresentando a poesia publicada na antologia portuguesa e também seu livro de estreia na carreira de escritora, “A Força”. A 18.ª edição do evento ocorre no Rio de Janeiro, de 31 de agosto a 10 de setembro.

Divulgação 
Anália com pais Pedro Paulo e Maria da Glória durante evento da antologia portuguesa: inserida
Poesia feita por Anália para a mãe, Maria da Glória: “Mulher de Papel” integra antologia portuguesa de editora de Lisboa

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