Estamos prontos para viver um século? A questão não é trivial e traz outros questionamentos: Viver cem anos como? Para quê? O que significa estar preparado? Pensamos pouco no assunto, mas a longevidade é discutida no mundo e também no Brasil. O total da população com mais de 60 anos no país quase triplicará até 2050, quando deve alcançar 30%.
Para a Organização Mundial da Saúde, seremos uma nação envelhecida, seguindo o critério de ter mais de 14% de idosos. E a expectativa de vida não para de subir. Ninguém quer morrer, muito menos cedo, mas viver quase um século pode ser desafiador.
De alguma maneira, é preciso se preparar. Há vários pilares para serem erguidos e solidificados. Saúde talvez seja o primeiro e o mais óbvio, sem o qual não chegaremos lá. Médicos insistem em hábitos saudáveis e ter amigos saudáveis, bom convívio familiar com filhos, netos e bisnetos, além de relações sociais é fundamental, tanto quanto buscar atividades prazerosas. Mas outro pilar a consolidar é o financeiro. Afinal, como se sustentar na velhice?
Ter independência financeira até o fim da vida exige planejamento e disciplina desde cedo.
Como fisgar a atenção dos jovens para guardar recursos que serão usados apenas depois de 50 anos? O distanciamento temporal é tão grande que gera estranhamento.
Viver hoje como se não houvesse amanhã parece sensacional, mas o amanhã chega. Em geral, no começo da vida, até que se completem os estudos e se inicie algum tipo de carreira, não geramos renda, apenas dependemos dos pais.
Quando chegam os ganhos, também chegam as contas a pagar, o casamento, a compra da casa, a educação dos filhos e os gastos continuam crescendo. O desejável é que poupemos para sonhos, para imprevistos e para a aposentadoria.
Não é fácil economizar, privar-se hoje para consumir amanhã. Surgirão filhos, netos, suas famílias e demandas. A fase de produção e acumulação de recursos não é uma parte tão longa do ciclo da vida (somamos entre 35 e 40 anos de trabalho, dos 20-25 anos aos 60-65 anos de idade, aproximadamente).
Se viveremos cada vez mais, o desafio é crescente, afinal, o idoso terá que se sustentar ou ser sustentado de alguma forma. Quando pararmos de gerar renda, será que teremos o suficiente para nos mantermos por mais 30 anos?
E, nesse contexto, o prolongamento das carreiras, a empregabilidade depois dos 60 anos, a longevidade e as políticas públicas para o envelhecimento populacional, entre outros, ganham relevância. Isso por si só é salutar, já que poucos se preparam bem para a fase pós-carreira.
Viver mais sem planejamento não significa viver melhor.