| Éder Azevedo/JC Imagens |
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| Cirço Araújo já retirou enxame de uma moto e até colocou insetos na boca: procurado pela população para combate |
O número de colônias de abelhas aumenta com a chegada da primavera, época de maior concentração de néctar nas flores. O período, somado ao desmatamento, provoca a migração do inseto para áreas urbanas e a intervenção do Corpo de Bombeiros ou de apicultores torna-se inevitável. Somente no sábado e domingo, a corporação em Bauru atendeu 16 ocorrências.
Apesar dos casos efetivamente atendidos, a demanda é bem maior. "Recebemos cerca de 15 ligações por dia, mas o atendimento é feito somente quando há o risco de ataque em áreas de concentração de pessoas. Os insetos, então, são levados para áreas afastadas da cidade. Em outras situações, recorremos a apicultores credenciados aos órgãos ambientais", detalha o tenente dos bombeiros Victor Felix Tozi.
Biólogo, professor do Departamento de Biologia e pesquisador do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, Osmar Malaspina explica que, no período que precede a primavera, quando se encontra néctar em abundância, a colônia de abelhas já apresenta crescimento considerável, que aumenta ainda mais na estação das flores e no verão.
| Corpo de Bombeiros |
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| Abelhas encontradas na rua Claudinei Lopes, Mary Dota |
| Samantha Ciuffa |
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| Segundo o tenente Victor Felix Tozi, os bombeiros de Bauru receberam 16 chamadas somente no último fim de semana |
"São nas épocas mais quentes do ano que elas mais procriam. Temperaturas elevadas contribuem bastante com o aumento da prole e as abelhas se espalham. Elas 'soltam' o enxame, ou seja, se dispersam, fator que chamamos de migração. Na floresta, procuram por lugares fechados e se protegem da chuva sob galhos de árvores", explica.
Entretanto, com o desmatamento cada vez mais constante, as abelhas acabam migrando para áreas urbanas, pois as cidades oferecem bons abrigos, como casas e construções. Malaspina orienta para que a população jamais tente retirar um enxame por conta própria. "O ideal é sempre acionar um especialista e isolar a área", alerta.
FATAL
Isso porque, algumas espécies podem até mesmo matar, dependendo do número de ferroadas e do nível de alergia da vítima ao veneno.
"Com apenas uma ferroada, uma pessoa alérgica tem fechamento da garganta e pode morrer. Quem não é alérgico, dependendo das ferroadas, sofre intensa intoxicação", detalha.
Uma das espécies, bastante comum em Bauru, é a abelha africanizada, resultante do cruzamento entre abelhas africanas e europeias. "Elas produzem quantidade maior de mel e são um pouco mais agressivas. Porém, os ataques só ocorrem quando elas se sentem ameaçadas. Algumas podem sentir o cheiro de uma pessoa a 15 metros de distância".
ATÉ TÚMULO
As abelhas podem estar em qualquer lugar que ofereça o mínimo de proteção e abrigo: galhos de árvores, postes de iluminação, forros de casas, motocicletas e até túmulos. Bastante procurado pela população bauruense, o apicultor Cirço Domes de Araújo retirou um enxame que havia "invadido" um cemitério da cidade, no início do ano.
Ele revela que, durante a primavera e verão, chega a retirar cerca de 60 colônias por mês, algumas delas com mais de 30 mil insetos.
"Somente semana passada, atendi mais de 20 ocorrências", enumera Cirço, complementando que, na maior parte, as abelhas estão em processo de migração, o que as torna mais vulneráveis e pouco ofensivas.
"É o que chamamos de abelhas viajantes. Geralmente, elas estão bem alimentadas e muito cansadas", justifica o apicultor, que, após retirar o enxame, solta os insetos em área de mata aberta ou entrega para apiários.
Ele ressalta que, nos últimos dias, poucos casos resultaram em acidentes.
"Soube de duas pessoas que foram picadas na avenida Castelo Branco e de um tratorista na cidade de Avaí, ambas os episódios, contudo, sem gravidade", finaliza.
Cirço atende pelo telefone (14) 9 9686-8180. Bombeiros: fone 193.
Você sabia?
Uma abelha realiza em torno de 40 voos diários em busca de néctar e pólen. Mesmo que voe 2 quilômetros longe da colmeia, ela nunca erra o caminho de volta. Uma única abelha visita aproximadamente 10 flores por minuto, podendo chegar a 40 mil por dia.
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