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| A passividade das pessoas frente a situação nos faz sentir palhaços sem esperança! |
O Professor sempre será agente de mudanças! É inerente ao ato de ensinar e aprender. Sem Professor não haverá nenhuma outra profissão! Ser Professor é formar gente e quando muita gente está mal formada em parâmetros morais e éticos, com urgência devemos perguntar: será que os Professores não conseguem trabalhar, a sociedade ficou surda ou então onde estão os Professores? A educação sempre foi um processo ativo onde todos participam, nunca foi passiva! Quando se fala “metodologia ativa” me lembro do mais popular dos ditados: estão reinventando a roda! Os Professores devem ser livres ao falar e discutir de forma plural e imparcial, quais são os valores nacionais, morais, éticos e legais em suas aulas! Professor é, em essência, um formador de gente e não de profissionais. Primeiro devemos formar o cidadão, o ser humano, depois formar o engenheiro, biólogo, médico e outros!
O Professor é paradigma, mas alguns não conseguem e logo coloca o aluno para aprender ser profissional, sem se preocupar com o lado humano. E toma-lhe o nome de metodologia “ativa” para esconder que o Professor vai ser um “passivo”, um monitor, um técnico! Formar pessoas e profissionais requer tempo e muita atividade mental como induzir, questionar, memorizar, criticar, analisar e decidir!
Aulas expositivas bem preparadas leva muito tempo e trabalho com dedicação a atividade mental, imaginária e aplicada, é raciocínio e sentimento, é análise e crítica: aula expositiva é ativa, mas para quem está a fim de fazê-la, sem apenas contar com a internet! O Professor deve ser comprometido e envolvido com a formação humana em primeiro lugar! Depois vem a formação técnica! Ser Professor é ser intelectual, culto e dedicado! Se for para não ser, melhor escolher outra atividade.
Professor precisa se expor, falar, discutir, opinar, contrapor e deixar os alunos fazer o mesmo em clima de liberdade e pluralidade. Precisamos falar aos jovens sobre moral e ética, induzindo discussões democráticas onde todos opinam e escutam! Precisamos tomar atitudes e deixar claro que verdade não tem dono! E que certo ou errado não existe! O que existe é vida com amor e respeito às diferenças, incluindo política e estilo de viver.
Eu tenho que acreditar que “esses caras” no poder tiveram Professores? Eu não posso acreditar que frequentou escola quando escuto de uma boca: - O maior bem de um país são suas empresas! Meu Deus! Claro que não, absolutamente não! O maior bem é a sua gente! Primeiro temos que cuidar de nossa gente, governo existe para cuidar de sua gente!
No dia do Professor quero expressar três indignações e três conformismos: Primeira indignação: O juiz que se baseia em delações para julgar e prender, não aceita que um delator denuncie-o em negociações de sentenças mais leves por via de amigo próximo. Segunda: Procuradores que deveriam procurar por crimes, cometem impropriedades que denunciam e condenam nos demais. Terceira: Autoridades judiciárias que deveriam ser ilibadas e imaculadas em condutas e posturas, quase que perfeitas e supremas, são acusadas e se posicionam como fazendeiros e empresários a busca de vantagens para si, familiares e empresas.
Primeiro conformismo: O poder legislativo está perdido, corrompido e condenado reconhecidamente pela opinião pública. Segundo: Muitas autoridades executivas federais apenas não estão atrás das grades por uma questão de cargos que ocupam, apenas por isto! Terceiro: A maior parte da população está omissa se escondendo de seus próprios pedidos e imagens que promoveram nas ruas poucos anos atrás, e agora, fica cúmplice e envergonhada daqueles que se apoderaram ilegitimamente do poder no país!
Às vezes, o Professor circunstancialmente desanima pelo trabalho árduo, persistente e insistente, mas sempre deve lutar para fazer valer o seu sonho de agente transformador do mundo. Caro colega Professor: na rapa do tacho de ânimo, neste dia 15 de outubro, com a devida antecedência, comemoremos nosso dia lembrando-se das palavras de Sandro Pertini, um intelectual italiano que viveu entre 1896 e 1990:
“Às vezes, é preciso saber lutar não apenas sem medo, mas também sem esperança”.
Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.