| Kevin Lamarque/Reuters |
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| Trump faz discurso sobre Irã na Casa Branca |
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abalou o acordo nuclear firmado com o Irã em 2015 nesta sexta-feira, desafiando outras potências mundiais ao decidir não confirmar que Teerã está cumprindo o pacto e alertando que pode terminar cancelando-o.
Trump anunciou a grande mudança na política norte-americana em um discurso no qual detalhou uma abordagem mais agressiva com o Irã devido a seus programas nuclear e de mísseis balísticos e seu suposto apoio a grupos extremistas do Oriente Médio.
O presidente acusou Teerã de “não estar no espírito” do pacto nuclear e disse que seu objetivo é fazer com que o regime jamais obtenha uma arma nuclear. Ele insinuou que o Irã pode estar trabalhando com a Coreia do Norte em seus programas de armas, acusação por ora sem embasamento.
“Não continuaremos por um caminho cuja conclusão previsível é mais violência, mais terror e a ameaça muito real de um surto nuclear no Irã”, disse.
Embora Trump não tenha retirado os EUA do acordo, que visa a impedir que o Irã desenvolva uma bomba nuclear, ele deu 60 dias para o Congresso norte-americano decidir se retoma ou não as sanções econômicas contra Teerã que foram suspensas devido ao pacto.
Isso aumenta a tensão com os iranianos, além de colocar Washington em choque com outros signatários do acordo, como China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha e a União Europeia.
Se o Congresso ressuscitar as sanções, os EUA estariam violando os termos do pacto e este provavelmente desmoronaria. Se os parlamentares não fizerem nada, ele continua em vigor.
Trump alertou que, se “não conseguirmos encontrar uma solução trabalhando com o Congresso e nossos aliados, o acordo será encerrado”.
o presidente iraniano, Hassan Rouhani afirmou que seguirá empenhado em um acordo nuclear multinacional, desde que sirva aos interesses do país, e seu programa de mísseis balísticos se expandirá apesar da pressão dos EUA.
Em resposta ao discurso do presidente de Trump, no qual Rouhani disse que não continuaria a certificar o acordo multinacional, o iraniano afirmou ao vivo na televisão que o anúncio de Trump estava cheio de “insultos e falsas acusações” contra os iranianos.
A posisão dos EUA foi saudada por Israel.
O ministro de Inteligência israelense descreveu o discurso de Trump como “muito significativo” e disse que pode levar à guerra, dadas as ameaças iranianas que o antecederam.
A medida é parte da abordagem “A América Primeiro” de Trump para acordos internacionais, que o levou a retirar os EUA do acordo climático de Paris e das negociações comerciais da Parceria Transpacífico.
Também nesta sexta-feira o presidente republicano deu ao Departamento do Tesouro ampla autoridade para impor sanções econômicas à Guarda Revolucionária do Irã, ou entidades de sua propriedade, em resposta ao que Washington chamou de esforços para desestabilizar ou minar os adversários do regime no Oriente Médio.
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