| Malavolta Jr |
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| Arnaldo Jardim, Arnaldo Ribeiro e Sergio Murilo, no Café com Política, no Jornal da Cidade |
Uma das principais características das mudanças climáticas são os extremos: ou chove demais ou não cai uma gota sequer. Em vista disso, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, aposta em reservação de água e vem conversando com o titular da Secretaria do Meio Ambiente, Maurício Brusadin, para dar celeridade ao processo. Jardim esteve em Bauru e região, entre quinta e sexta desta semana, quando se reuniu com as lideranças políticas da região.
O secretário lembra que São Paulo passou pela maior seca de sua história, há dois anos, e aprendeu a lição. "Na época, chegamos adotar restrições para a irrigação", relembra.
Jardim acredita que o problema não seja a falta de água, mas a dificuldade de sua reservação. "Do ponto de vista da agricultura, não significa que teremos menos água. Tem hora que terá menos e outra que terá mais. Isso implica em mudar o conceito de manejo dos recursos hídricos: ter mais reservação e cuidado em relação ao escoamento", argumenta.
"Cada vez que o agricultor quer fazer uma represa, leva anos para conseguir autorização. Precisamos simplificar isso, porque reservar água é importante e também contribui para o meio ambiente. A ação mantém o equilíbrio da flora e da fauna", defende.
PANORAMA GERAL
No feriado de Nossa Senhora Aparecida, quando Jardim passou por Bauru, também foi Dia do Engenheiro Agrônomo. O secretário aproveitou a ocasião para destacar o agronegócio brasileiro enquanto referência internacional. Segundo ele, o País está conseguindo se livrar de três preconceitos: agricultura como atividade predatória, com relações arcaicas de trabalho e antiquada.
"Pelo 5.º ano consecutivo, apresentamos um aumento da cobertura vegetal ativa em todo o Estado, assim como da produção agrícola. Nós não estamos mais desmatando, pelo contrário, estamos recompondo a mata. Logo, garanto que a agricultura do Estado é sustentável", acrescenta.
Hoje, em São Paulo, convivem o grande, o médio e o pequeno produtor. Além disso, o agricultor familiar deixou de ser tratado como "café com leite". "Nós tivemos uma situação de emancipação. Paralelamente a isso, o grau de informalidade é superior nas cidades do que no campo. Este, por sua vez, está muito mais formalizado e moderno, do ponto de vista das relações de trabalho", pontua.
O secretário mostra, ainda, que o setor não é antiquado e apresenta inovação, inclusive, na região de Bauru. "Em Pompeia, o curso da Fatec é destinado à agricultura de precisão. Uma máquina sai para plantar e vai acumulando dados sobre temperatura, vento, condições do solo, luminosidade etc. Esse trajeto, que é todo registrado, fica armazenado. Quando a máquina lança o defensivo, segue a mesma linha. E a escolha do lançamento do defensivo, quando é feito, leva em conta esse conjunto de fatores", exemplifica.
Para comprovar, Jardim informa que metade dos aplicativos lançados no Brasil é destinada ao agronegócio.
"Nós, bem como um conjunto de economistas, temos a convicção de que o setor que pode ser a base para um novo momento é o agronegócio, porque tem acúmulo de capital maior do que o da própria indústria; capacidade de inovação; vantagens competitivas em relação aos outros países do mundo; e efeito multiplicador na economia, já que existe demanda por equipamentos, transporte, portos, ferrovias, hidrovias e rodovias. O governador Geraldo Alckmin é um entusiasta dessa tese e tem apostado no setor", pontua Arnaldo Jardim.
Na região
Lançado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Programa Microbacias 2 se faz a partir de recursos do Banco Mundial, aplicados pela pasta. Nele, os pequenos agricultores são reunidos em associações ou cooperativas, que definem um projeto. Do valor total, 70% é bancado pela secretaria e o restante é financiado em oito anos, a juros mais baixos.
Na região de Bauru, os índios terena, de Avaí, desenvolveram um projeto de plantar, colher, limpar, seccionar e embalar a mandioca. O plano está em andamento e eles já plantam 100 hectares do produto. Em Arealva, os pequenos produtores de grãos se juntaram para vender e armazenar a produção, graças ao apoio do programa estadual.
Agronegócio: base para um novo ciclo do País
Segundo Arnaldo Jardim, as últimas grandes jornadas de crescimento econômico do País foram impulsionadas pela indústria, que tinha acúmulo de capital, capacidade de inovação e condições de desenvolver um efeito multiplicador sobre a economia.
O secretário acredita que, agora, o agronegócio seja a base para o próximo ciclo do País.
Secretário considera ‘sensata’ decisão do STF
Recentemente, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consideraram necessário o aval do Congresso para o afastamento de deputados e senadores de seus mandatos por ordem da Corte. De acordo com a decisão final, o Judiciário tem o poder de aplicar qualquer medida cautelar contra um parlamentar. Quando tal medida, porém, interferir "direta ou indiretamente" no exercício do mandato parlamentar, como é o caso do afastamento, precisará do aval do Legislativo.
Segundo o secretário Arnaldo Jardim, que é deputado federal licenciado pelo PPS, a decisão é sensata. "Nós temos um equilíbrio de poderes. Cada um dos poderes tem a sua capacidade de discernir. Apurações o Judiciário faz, mas determinação de afastamentos preventivos diante de uma investigação aberta, sem uma condenação judicial, se caracterizaria uma intervenção", frisa.
