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| Roberto Pinto entre Edinho Engel e Mara Salles, dois dos três personagens centrais do livro |
Antes de mais nada, vamos esclarecer: o livro "Gastronomia Brasileira - Na Linha do Tempo" não tem receitas. Mas tem histórias gostosas de quem sabe executar e criar quitutes como poucos. E tem dicas também.
Quem adianta isso é o próprio autor da obra, o jornalista Roberto Pinto, nascido e criado em Bauru e que há mais de 40 anos está na grande imprensa brasileira. Casado com uma matemática, Maria Cecília Corá Reis Pinto, também bauruense, eles mantém vários amigos na cidade e, por isso mesmo, Bauru é o segundo mercado aonde a obra já está disponível para comprar.
O livro Gastronomia Brasileira - Na Linha do Tempo (Edições Tapioca, 344 páginas) traz um panorama dos últimos 40 anos da cozinha brasileira profissional, a partir do movimento inaugurado pelos chefs franceses Laurent Suadeau, Claude Troisgros e, depois, Emmanoel Bassoleil, nos anos 80 e 90 ("Cozinha Bossa Nova").
A obra conta como foi o primeiro evento promovido pelo Caderno Paladar, do jornal O Estado de S. Paulo, em 2006, reunindo os chefs Alex Atala, Edinho Engel e Mara Salles, que seguiram o rumo traçado pelos franceses associando sua técnica internacional à valorização dos ingredientes brasileiros. A esse caldeirão, os três acrescentaram: a tradição culinária nacional e muita pesquisa.
Roberto Pinto, que se diz viciado em comida e fã do movimento, que inclui a batalha diária de farejadores de ingredientes raros como Roninho Almeida, da Mercearia Paraopeba (Itabirito-MG), as marisqueiras da contra costa da Ilha de Itaparica, chefs que viraram fornecedores exclusivos de peixes, como Cauê Tessuto e produtores artesanais como Elisabeth Shober, da Queijo com Sotaque e a pesquisadora Margarida Mendonça, da Funghi Brasilis. O autor também conversou com fornecedores como o Rynuoske Ejiri, que veio do Japão para criar pirarucu no Brasil.
A narrativa começa com uma visita aos restaurantes dos três chefs reunidos no primeiro laboratório de Gastronomia Brasileira montado pelo caderno Paladar, em setembro de 2006, na então recém-inaugurada Faculdade de Gastronomia da Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo: o Manacá, em Camburi-SP e o Amado-Bahia, ambos de Edinho Engel; o Tordesilhas-SP, de Mara Sales; o D.O.M. e o Dalva & Dito, de Alex Atala.
As casas refletem a trajetória desses chefs que construíram os alicerces de um fenômeno cultural que se espalha pelo País em diferentes modalidades, intensidade e quadrantes: dos foodies e cozinheiros de fim de semana que acompanham os concursos e programas de culinária na TV a criadores contemporâneos, como os irmãos Castanho, no Pará, Felipe Bronze, no Rio e Manu Bufara, no Paraná.
GERAÇÕES
No capítulo "Camaradas", o autor entrevista os chefs da "segunda geração" do movimento inaugurado pelos franceses e pelos três brasileiros: Carla Pernambuco, Roberta Sudbrack, Janaina e Jefferson Rueda; André Mifano e Ivan Ralston; Rodrigo Oliveira e Helena Rizzo, além dos franceses Claude Troisgros e Emmanoel Bassoleil. "Foi a primeira vez que vi opiniões dessa turma toda reunida num único espaço", comenta o chef Edinho Engel, um dos personagens centrais da narrativa. Para Edinho, "Gastronomia Brasileira - Na Linha do Tempo" propõe uma reflexão instigante e inspiradora sobre a gastronomia brasileira atual.
QUEM VEM LÁ
A terceira parte do livro, "Futuro", intitulada "Quem Vem Lá" traz um perfil de alguns fornecedores de ingredientes naturais, raros ou especiais, que abastecem os restaurantes de gastronomia em diferentes regiões do País, e que lutam contra as dificuldades de uma legislação ultrapassada e pouco flexível.
Roberto Pinto aponta interlocutores que, na opinião dele, seriam capazes de promover uma revolução nos parâmetros legais e sanitários que regem a atividade desses fornecedores, dos próprios chefs e dos restaurantes em geral.
Sobre o autor
Roberto Pinto estrou no jornalismo aos 15 anos, com uma reportagem sobre freiras enclausuradas no extinto Diário de Bauru. Isso em setembro de 1965. Em 1970, já estava no O Globo, no Rio de Janeiro. Perseguido pela ditadura (colaborador que era de O Pasquim sob o pseudônimo de Topin publicava cartuns), teve que sair do País. Andou por Portugal e Bélgica. No retorno ao Brasil, passou por Isto É e TV Manchete. Pós-graduado em mercado de capitais pela FGV-SP, chegou a área de comunicação da Bolsa de Mercadoria & Futuros de São Paulo (BM&F). Desde 1988, comanda a Verbo Comunicação Empresarial.
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SERVIÇO
Gastronomia Brasileira - Na Linha do Tempo
Edições Tapioca (Pioneira Editorial Ltda)
Autor: Roberto Pinto
Preço sugerido: R$ 52,50
Onde encontrar: Jalovi
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