| Aceituno Jr. |
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| Na peça, Junior Lima e Letícia Bortoletto interpretam dois moradores de rua com deficiência |
Uma é deficiente visual. O outro não possui as duas mãos. Além dos desafios em razão das deficiências físicas, a dupla ainda enfrenta o drama de viver nas ruas. Os dois fazem parte de uma legião de "invisíveis" ao olhar da sociedade. Este foi o contexto explorado pelo espetáculo "Deus lhe dê em dobro", da companhia Dragão 7, de São Paulo.
O evento, que ocorreu ontem na Praça Rui Barbosa, faz parte da programação da 8.ª edição da Virada Inclusiva, promovida pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comude). A apresentação teatral, que faz parte do Circuito Cultural Paulista Especial com Tradução em Libras, contou com a atuação de dois atores.
Na peça, Junior Lima vive um morador de rua que não tem as mãos. Companheira dele pelas andanças nas ruas, a personagem interpretada pela atriz Letícia Bortoletto enfrenta o drama de não enxergar. Ambos lutam para adquirir respeito tanto pela deficiência física quanto pelo fato de não terem onde morar.
"O teatro chama atenção para as 'pessoas invisíveis'. Há uma porcentagem da população que é 'invisível', que são aqueles que vivem nas ruas. Nesta semana em que celebramos a acessibilidade, temos outra falta de acesso: o social. No enredo da peça, traçamos um paralelo entre o terceiro e o primeiro mundo, pois todos nós fazemos parte dessa realidade", explica a diretora do espetáculo, Creuza Borges.
Ela destaca, ainda, a participação da interprete de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) Simone Vecchio para traduzir as cenas a espectadores com deficiência auditiva. "É uma forma de mostrar a importância do trabalho de inclusão em todas as esferas".
'EXCLUÍDOS'
Terceiro secretário do Comude, o cadeirante Arlindo Estevão Rodrigues pontua que é preciso mostrar o cotidiano das pessoas com deficiência para sensibilizar a população. "Porque muitos os veem de forma discriminatória, como excluídos da sociedade. Enxergam eles como coitados, e não como alguém que deva ser inserido de forma integral na comunidade".
Ainda neste sábado, foi realizado outro evento em Bauru da Virada Inclusiva: 1.ª Conferência Evangelho Acessível, no Hotel Vitória Régia.
