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Foguetes para a educação 'decolar'

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Douglas Reis
Preparando lançamento: foguetes desenvolvidos por alunos de escola estadual de Bauru
Foguete é lançado em aula prática que rendeu aprendizado e diversão
Natalia e João Antonio exibem seus foguetes Black Swan (Cisne Negro) e (A+B)²
Professor Luiz Fabiano Lopes: “Cada foguete foi desenvolvido por um grupo de cinco alunos, reunindo muito estudo, empenho, experimento e trabalho em equipe”

Materiais como garrafas pets, pasta plástica, água e bombeador de ar combinados a conhecimentos de física, ciências, química e matemática. O resultado é tecnologia: foguetes que atingem até 200 metros de distância. Os projéteis, desenvolvidos por alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Professor José Aparecido Guedes de Azevedo, que fica na Bela Vista em Bauru, foram lançados nesta quarta (6) e quinta (7), próximo à linha férrea.

Incentivados pelo professor de física Luiz Fabiano Lopes, cerca de 200 estudantes, do 1.º e 2.º ano, criaram 32 protótipos em sala de aula, durante as atividades do último bimestre. O docente destaca que a iniciativa tem por objetivo despertar o interesse dos jovens pela disciplina e conceitos de astronáutica, astronomia e ciências, para promover a difusão dos conhecimentos básicos de uma forma lúdica. 

"Cada foguete foi desenvolvido por um grupo de cinco alunos, reunindo muito estudo, empenho, experimento e trabalho em equipe", pontua Lopes, que vem aplicando os experimentos na unidade há quatro anos, inspirado na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA). "Esse tipo de projeto é muito comum em escolas privadas. Em instituições públicas de Bauru, creio que só é feito na Guedes de Azevedo".

FOGUETE

Foram mais de quatro semanas de trabalho em sala de aula. Para que a performance do projétil seja positiva, a estrutura conta com uma plataforma feita com canos de PVC, um bombeador de ar e o foguete, cuja estrutura é criada com duas garrafas pets e pasta plástica dura para formar as aletas (espécie de asas), que garantem a aerodinâmica do protótipo.

"É preciso fazer uma combinação ideal da massa, ou seja, tamanho e peso do foguete com o formato das asas, para proporcionar o alcance máximo durante o voo", explica o professor, complementando que o combustível nada mais é do que água pressurizada. 

"Para gerar a combustão, usamos uma bomba de encher pneu, ligada por mangueira à base que sustenta e engata o protótipo. Com o movimento de encher, o ar pressurizado empurra a água para fora, causando uma reação da garrafa em sentido oposto, o que faz o foguete voar, detalha.

APRIMORAR

A estudante do 2.º ano Natalia Pietro Guarnetti, 16 anos, conta que já havia construído um foguete durante as atividades escolares do ano passado, mas que o resultado não a agradou tanto quanto o alcançado desta vez. "A gente vai aprimorando com o tempo", ressalta, enquanto exibia o protótipo, batizado de Black Swan (Cisne Negro, na tradução), inspirado no filme de mesmo nome.

"É porque eu e uma colega da equipe somos bailarinas", justifica. No teste de ontem, porém, o voo do foguete não foi bem sucedido, chegando a uma distância de aproximadamente 70 metros, diferente do lançamento de quarta-feira, quando atingiu mais de 100 metros.

Outro que se deu melhor na primeira tentativa foi o protótipo que ganhou o nome de uma fórmula matemática: (A B)². Um dos criadores, João Antonio Ramos, 16, conta que, na quarta-feira, o grupo levou o título de campeão, após superar distância de 200 metros. Mas, para ele, o aprendizado é mais importante do que vencer a competição. "Foi uma experiência inovadora. A gente fica empolgado e ansioso para ver o foguete voar".

Em tempo: um foguete dourado, desenvolvido por alunos do 1.º ano, ficou com a primeira colocação, nessa quinta-feira (7). "Ele atingiu mais de 230 metros de distância", orgulha-se o professor Luiz Fabiano.

‘Sentido para o aprendizado’ 

Diretora da E.E. Professor José Aparecido Guedes de Azevedo, Luciana Pegoraro destaca o incentivo ao conhecimento que o projeto proporciona. "Quando os alunos entendem como esse processo é aplicado na prática, traz sentido para o aprendizado".

"É um momento em que o estudante apresenta o concreto daquilo que fizeram nas resoluções teóricas. Assim, ele percebe toda a trajetória do seu trabalho", complementa a coordenadora da área de Ciências da Natureza da unidade, Eliana Furquin. 

Confira o vídeo:

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