O final do ano letivo chegou! Com ele vêm as férias e as crianças em casa! Essa semana ouvi a preocupação de vários pais que não entrarão de férias com os filhos e se perguntam: "O que faremos com as crianças?" A rotina é algo importante na organização da vida familiar.
A escola faz parte dessa rotina. É lá que deixamos nossos filhos todos os dias para irmos trabalhar, é a ela que confiamos a maior parte de seu aprendizado, é lá que estão os amigos, os primeiros amores, as letras, os números, as autoridades amadas, as alegrias e os conflitos, o conhecimento socialmente acumulado, a vida em efervescência.
Mas a escola também tem que parar. Parar para se reorganizar, parar para que seus profissionais tenham seu merecido descanso, parar para se fazer novo planejamento, parar para avaliar o trabalho desenvolvido, parar para retomar com novo fôlego. E é nessa pausa que as crianças terão suas manhãs e tardes livres. Bom para elas, preocupação para os pais!
No entanto, essa preocupação pode ser minimizada com certa organização e planejamento. Se for conversado com a criança e for consenso, há opções interessantes de cursos de férias. Mas, para ser saudável, essa precisa ser uma decisão também da criança e não uma imposição dos pais.
Se a opção for mesmo ficar em casa, a criança poderá fazer o que ela faz muito bem: brincar! A brincadeira é categoria constituinte da infância, é no brincar que a criança se expressa, se constrói, interage, aprende e ensina. Crianças podem brincar sozinhas ou em grupo. O importante é o ato em si e sua significação no tempo e espaço no qual a brincadeira se constitui e se desenrola.
Uma folha de papel, caixas de papelão, potinhos vazios, massa de modelar, bola, água, terra, bonecos, tudo serve para estimular a imaginação e se transformar naquilo que a criança fantasia e deseja.
A companhia dos adultos também é importante e saudável. Um jogo, um filme, um passeio ao ar livre, conversas nas quais a criança possa ser ouvida em suas necessidades afetivas e carinho são o suficiente para deixá-las felizes e seguras.
Férias não é tempo para se preocupar, é tempo de desfrutar e curtir ao máximo os pequenos enquanto não crescem. E eles crescem... Rápido demais para o meu gosto!
A autora é professora, psicóloga, mestre e doutora em Educação. Livre-docente em Psicologia da Educação. Contato: melissa@fc.unesp.br