| Fotos: Imprensa Prefeitura de Lençóis/Divulgação |
![]() |
| Lago já esvaziado, (abaixo) equipes da Prefeitura, SAAE e Corpo de Bombeiros realizam rebaixamento do nível do Lago da Prata |
![]() |
A Defesa Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) iniciou na quarta-feira (27) o rebaixamento do Lago da Prata. O objetivo da ação é reduzir o volume do lago para que ele possa receber água da chuva no período crítico entre os meses de dezembro e janeiro. Além do Lago da Prata, que terá um terço de seu volume esvaziado, o procedimento também foi feito a Barragem do Castelhano, no Ribeirão do Barra Grande e será realizado em mais cinco barragens em propriedades particulares, nos municípios de Lençóis e Borebi. Os proprietários já foram orientados de como realizar o rebaixamento.
No caso do Lago da Prata a redução de volume está sendo feita com a participação das equipes das diretorias de Apoio e Motomecanização, Obras, Serviço Autônomo de Água e Esgoto e Corpo de Bombeiros e segue orientação do Procedimento Padrão de Monitoramento Climático e Ambiental (PPMCA) que foi aprovado recentemente durante plenária do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do Rio Lençóis (CGBH-RL).
O PPMCA, entre outras coisas, prevê como uma das ações preventivas para amenizar os efeitos de inundações e alagamentos na área urbana de Lençóis o rebaixamento de sete represas localizadas nas microbacias do Rio Lençóis como forma de evitar que uma grande quantidade de água chegue ao mesmo tempo ao rio. Conforme prevê o plano, o rebaixamento foi iniciado nas represas que estão a jusante (depois da área urbana de Lençóis Paulista) e agora está sendo realizado nas represas que estão a montante (antes da área urbana).
Em janeiro de 2017, o Lago da Prata foi rebaixado e conteve um volume de cerca 30.000 metros cúbicos, somado à contenção do reservatório do ribeirão Barra Grande, foi possível aumentar em cerca de 15% a drenagem do Rio Lençóis entre janeiro e fevereiro de 2017.
Para o período de 2018, no Lago da Prata, foi possível obter uma contenção de uma vazão constante de cerca de 970 metros cúbicos por hora. Em janeiro de 2017 a contenção de vazão foi de cerca de cerca de 700 metros cúbicos por hora. Com o rebaixamento será possível armazenar 50.000m3 de água por ciclo de chuva.
O procedimento tem a colaboração dos proprietários de represas da região e o acompanhamento pelo Ministério Público de Lençóis Paulista.
COMITÊ
De acordo com o CGBH-RL, havia um risco do PPMCA não funcionar, uma vez que o procedimento é inédito no interior paulista e não existem dados técnicos comprobatórios sobre a eficácia. No entanto, as primeiras leituras online da vazão do rio Lençóis, 12 horas depois de 4 dos 7 reservatórios estarem rebaixados mostraram que a vazão do Rio Lençóis reduziu 30%. Isto significa, segundo o Conselho Técnico do CGBH-RL, que o procedimento respondeu de imediato de forma positiva e efetiva.
A concretização dos resultados será analisada durante o período de alta vazão do Rio Lençóis, que dispõe de um sistema de monitoramento de dados reais ao longo da bacia hidrográfica.
O Conselho Técnico do CGBH-RL informa ainda que, caso os números apontem para uma efetivação numérica efetiva para o período de atenção de 2018/19, todas as demais barragens de porte médio existentes nos municípios da bacia hidrográfica terão que seguir o protocolo de rebaixamento de volumes, as que não tiverem dispositivos de rebaixamento deverão se adequar para a operacionalização do PPMCA. "Esse procedimento apenas ameniza situações de extremo excedente de drenagem, considera-se como solução técnica definitiva, a expropriação das áreas de riscos localizadas nas beiras de rios", esclareceu o Comitê ao ser questionado pelo JC.

