Esportes

Judô: De olho em Tóquio

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Sesi/Divulgação
Laislane Rocha e Michael Marcelinho, revelações do judô brasileiro, ao lado do técnico Marinho Esteves, do Sesi Bauru
Fotos: Divulgação
Michael, de 18 anos, busca vaga no meio-leve, que teve Charles Chibana como representante brasileiro na Rio-2016
Laislaine (direita), de 17 anos, tem como concorrente para Tóquio a medalhista olímpica Mayra Aguiar

Bauru pode voltar a disputar os Jogos Olímpicos no judô, fato que não ocorre desde 2004, em Atenas, na Grécia, quando a cidade teve como representante o judoca e policial militar Mário Sabino. Quatro anos antes, ele havia lutado também nas Olimpíadas de Sydney. Quase 14 anos depois, por meio do trabalho desenvolvido nos tatames do Sesi Bauru, já é possível projetar o judô da cidade novamente entre os melhores do mundo. E isso pode ocorrer já em 2020.

E o otimismo vem da dedicação nos treinos, dos ippons e dois resultados obtidos por duas jovens promessas de Bauru, Laislaine e Michael, que acabam de retornar da cidade Lauro de Freitas, na Bahia, com os títulos em suas categorias da tradicionalíssima seletiva olímpica nacional. A competição visa formar a seleção principal do judô brasileiro que disputará grands slams e grand prix em busca das 14 vagas brasileiras para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020.

Laislaine Sampaio da Rocha, de 17 anos, natural de Bauru, conquistou o título da seletiva após vencer na final a atleta mineira Isabela Sanches, do Minas Tênis Clube, no peso meio-pesado (até 78kg). Michael Marcelino, 18, morador de Bauru há mais de três anos, mas natural de São José dos Campos, foi campeão no peso meio-leve (até 66kg). Ele venceu na final o gaúcho Gabriel Genro, do clube Sogipa de Porto Alegre (RS).

Satisfeito com o resultado, o treinador do Sesi Bauru e da Seleção Brasileira Escolar, Marinho Esteves, avalia que Bauru está bem próximo de exportar novamente judocas para Olimpíadas. "Tenho certeza que isso vai voltar a acontecer em poucos anos. O judô do Sesi Bauru trabalha para isso. E se caso isso não ocorrer já em 2020, até porque apesar de ter grandes chances, a Laislaine e o Michel são muito jovens, creio que será possível com certeza em 2024, em Paris", disse Marinho.

NÃO SERÁ FÁCIL

O treinador está otimista e destaca que o Sesi vai investir para que eles tenham totais condições de conquistar uma das 14 vagas brasileiras já para 2018. "São sete vagas para o masculino e sete no feminino. Uma por peso. A Laislaine, por exemplo, de apenas 17 anos, tem como concorrente a medalhista olímpica Mayra Aguiar, bronze na Rio-2014, bronze em Londres-2012 e campeã mundial em 2014. E é a atual titular no peso meio-pesado, mesma categoria da Laislaine. Elas não lutarão entre si. Serão feitas competições e ambas buscarão pontos para o ranking individual. Apesar do que ela vai encarar pela frente, eu acredito muito no potencial da Laislaine", destaca o treinador.

As competições que Marinho Esteves cita terão o calendário definido entre os dias 22 a 26 deste mês. Agora na Seleção Brasieira principal, os dois judocas de Bauru disputarão os principais grand prix e grand slams de judô mundial, entre eles os de Paris (França), Tóquio (Japão), Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) e Dusseldorf (Alemanha).

Se Laislaine terá pedreira pela frente, chamada Mayra Aguiar, Michael Marcelino tem para si a expectativa de repetir os bons resultados que conquistou recentemente. "Michael foi medalha de ouro nos Jogos Mundiais Escolares na Turquia, prata no Circuito Mundial da Sérvia, ouro no Circuito Mundial da Alemanha e campeão sul-americano e brasileiro", revela Marinho Esteves.

"SÓ COMEÇO"

O treinador Marinho Esteves, fundamental nesta evolução do judô bauruense, juntamente com investimento feito pelo Sesi Bauru, ressalta que o trabalho vem crescendo muito, mas só está no começo. "Desde 2012, colocamos judocas de Bauru na seleção. Nesse período, conquistamos mais de 50 medalhas internacionais. O Sesi conta com técnicos, preparadores físicos e custeia nas competições toda a hospedagem, alimentação e transporte, inclusive aéreo, além do mais importante: oferece ajuda de custo aos competidores e bolsa de estudos em uma faculdade de Bauru. Hoje, 11 judocas já ganharam bolsa e estão cursando ensino superior. Agora, só faltam as tão sonhadas vagas olímpicas. E estamos quase lá", finaliza.

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