Política

Câmara Municipal quer ver APA detalhada por mapas

Thiago Navarro
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Thiago Navarro
Telma Gobbi, Chiara Ranieri e Coronel Meira foram os que mais questionaram legalidade das APAs

É posição majoritária na Câmara Municipal de Bauru que o estudo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Batalha detalhe, com apresentação de mapas específicos, as áreas onde é possível a instalação e ocupação e onde há restrições. O estudo que vai elaborar o Plano de Manejo da área teve início nessa quarta-feira (10), com a emissão da ordem de serviço da Prefeitura de Bauru para a empresa STCP, de Curitiba, que terá um ano para realizar o levantamento e o Plano, pelo valor de R$ 476 mil.

A STCP apresentou o cronograma de trabalho na Câmara Municipal, como determina o decreto do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), que baliza a realização desse tipo de estudo. Mais da metade dos vereadores esteve presente, e vários mostraram posição reticente quanto à efetividade do Plano de Manejo. A possibilidade de projeto de iniciativa legislativa para a revogação das leis que criaram as APAs, algo que se discute nos bastidores há algum tempo, foi colocada pelos parlamentares.

Contudo, ao final do encontro, eles ponderaram e sinalizaram que vão aguardar o estudo antes de tomar decisões definitivas. A prefeitura é contra a revogação dessas unidades e argumenta que a medida seria retrocesso.

REVOGAÇÃO?

A possibilidade de apresentação de um projeto de lei para revogar as três APAs do município movimentou a reunião de ontem. Após a apresentação da STCP, os vereadores Chiara Ranieri (DEM), José Roberto Segalla (DEM), Coronel Meira (PSB), Telma Gobbi (SD) e Sandro Bussola (PDT) fizeram questionamentos a respeito da legalidade da legislação atual.

Um dos pontos citados é que as APAs foram criadas sem a devida participação popular, e que as regras previstas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) exigem a formação de um Conselho Gestor para cada unidade de preservação em até cinco anos após sua criação - já se passaram quase 20 anos. Na visão de alguns vereadores, a ausência do conselho dentro do prazo estabelecido já seria suficiente para derrubar a criação das APAs, que ocupam 66% do território municipal.

Além da APA do Batalha, cujo Plano de Manejo começa agora, existem as APAs do Vargem Limpa/Campo Novo - cujo Plano de Manejo está em fase de licitação - e a do Água Parada, a maior do município, que já possuí o estudo (em fase de revisão neste momento). O Executivo prometeu concluir a revisão em 60 dias.

Telma questionou a legalidade das áreas. "Qual a legalidade das APAs criadas há 20 anos?", disse.

"A simples criação da APA permitiu a preservação do Rio Batalha? Não foi isso o que vimos nesse período. É importante saber se o Plano de Manejo vai apontar como preservar o manancial e ao mesmo tempo permitir o desenvolvimento da cidade", relatou Chiara Ranieri.

Ela ainda lembrou que apresentou projeto de lei para ampliar o Alvará Provisório para as atividades rurais, até que os Planos estejam finalizados. O texto foi aprovado pela Câmara, mas vetado por Gazzetta. Em fevereiro, o Legislativo votará se mantém ou derruba o veto do prefeito.

Já o vereador Coronel Meira também falou da necessidade de destravamento, o que passa pelas APAs. "Já pensamos em revogar as três APAs. Pode ter depois intervenção do Ministério Público, do Jurídico da prefeitura, ma,s do jeito que está, estão travando a cidade", afirmou. Ao final da reunião, contudo, os parlamentares ponderaram pela necessidade de acompanhar as elaborações dos Planos de Manejo.

CONTRAPONTO

A secretária municipal do Meio Ambiente, Mayra Fernandes da Silva, ponderou pelos prejuízos de se revogar as APAs. "Seria um retrocesso revogar as APAs agora, pois a prefeitura já contratou a elaboração do Plano de Manejo do Batalha, está licitando a do Vargem Limpa/Campo Novo, e revisará a do Água Parada. Além disso, os Conselhos Gestores de cada APA foram criados, com a nomeação dos membros que representarão o poder público, e estamos, agora, em processo de eleição dos membros da sociedade civil", defendeu.

Mayra comentou que houve omissão. "São 20 anos de omissão do poder público. A prefeitura não fez os Planos de Manejo, não criou os conselhos gestores e não regulamentou. Seria irresponsável eu, como poder público, defender revogar. E é preciso dizer que é retrocesso, porque, sem lei municipal a respeito, vale a lei mais restritiva, superior, o que seria pior. A lei municipal permite que se estabeleça aqui as diretrizes que não conflitam com a norma superior", acrescentou, após a reunião.    

A bióloga Daniele Pries Staut, da STCP, complementou que a restrição seria impositiva, já que há sobreposição de APAs, do município e do Estado. Ela referendou que, neste caso, prevalece a mais restritiva. Ela também enfatizou a necessidade de um bom Plano de Manejo, que levantará tanto os aspectos ambientais quanto socioeconômicos para definir como cada setor da APA poderá ser aproveitado economicamente, incluindo uso e parcelamento do solo. Daniela lembrou que as APAs permitem uso econômico, diferente de outros tipos de unidade de conservação, que possuem mais restrições à ocupação.

Cronograma

A reunião foi conduzida pela Secretaria do Meio Ambiente (Semma), responsável pela contratação da STCP. A secretária Mayra Fernandes da Silva acompanhou a apresentação, feita pela bióloga Daniele Pries Staut, da empresa contratada. Daniele apontou que o trabalho de campo será realizado entre fevereiro e março, em sete fragmentos de mata mais preservados.

Em seguida, deve ser apresentado o diagnóstico ambiental, em meados de abril, com base nos resultados obtidos. Depois, em maio, ocorrerão oficinas com a participação da comunidade, e reuniões de planejamento entre junho e julho. O cronograma prevê uma versão preliminar do Plano de Manejo entre setembro e outubro, e a versão final entregue em novembro.

Participaram os vereadores Sandro Bussola (PDT), Coronel Meira (PSB), Chiara Ranieri (DEM), Telma Gobbi (SD), José Roberto Segalla (DEM), Miltinho Sardin (PTB), Carlinhos do PS (PV), Roger Barude (PPS) e Markinho Souza (PP). Outros parlamentares, que não puderam comparecer por compromissos previamente assumidos, enviaram assessores.

 

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