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Saúde diz que ligação em rede irá combater falta de medicamentos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Fogolin aponta que, sem informatização, não é possível nem ter lista de todos os remédios em falta

A falta de um sistema informatizado e integrado em rede é apontada pela Secretaria Municipal de Saúde como pivô para a escassez dos medicamentos nas unidades médicas de Bauru. A falta de remédios e materiais, inclusive, fez com que o Sindicato dos Servidores decidisse acionar o Ministério Público, conforme o JC noticiou nesta semana.

O município alega que, atualmente, os trâmites na área da assistência farmacêutica são feitos em planilhas e não há um controle efetivo tanto da dispensação de medicações feita aos pacientes quanto do abastecimento pelo almoxarifado nas unidades da pasta.

O secretário José Eduardo Fogolin diz que iniciou estudos e que, ainda neste primeiro semestre, abrirá licitação para contratação de empresa para informatizar o serviço, com implantação prevista até o final de 2018.

"Não temos nem como ter a lista de todos os medicamentos em falta, agora. Para isso, teríamos que parar o almoxarifado e fazer contagem manual, além de saber em quais unidades têm qual medicamento. Porque não há comunicação em rede, só de cada unidade com o almoxarifado. Ou seja, pode estar faltando uma medicação aqui, mas na outra unidade tem. Com a informatização, o almoxarifado conseguiria enxergar o todo e acompanhar o destino final", explica o secretário José Eduardo Fogolin.

Ele aponta que, de todas as áreas da saúde, a assistência farmacêutica, formada por 13 postos de saúde e mais três farmácias municipais, será a primeira a receber o processo de informatização e integração em rede. Posteriormente, o benefício deve ser expandido para outras áreas da pasta.

'ERA DA PEDRA'

Na edição de 21 de novembro de 2017, o JC já alertava para o problema, que também afeta as consultas e demais atendimentos, na reportagem "Sem ligações em rede, Saúde de Bauru segue na 'idade da pedra' da informática".

"Não o fizemos ainda porque não tínhamos Orçamento previsto para isso em 2017. Mas, se você pegar O orçamento de 2018, verá o R$ 1 milhão previsto, suficiente para informatizar toda a rede", cita Fogolin. "Já sentamos para ver modelo com Instituto de Ciência da Computação da USP São Carlos e estamos estudando outras empresas também", acrescenta.

20% DE DESPERDÍCIO

A pressa da prefeitura em ter o controle sobre o que entra e sai do estoque ganhou ainda mais impulso após outubro do ano passado, quando uma consultoria detectou perda mínima na ordem de 20% na área da assistência farmacêutica.

Com a receita de uso contínuo válida por um ano, o usuário consegue, hoje, por exemplo, pegar mais medicamentos do que realmente precisa. "É um grande problema", admite Fogolin. "Com a implantação da informatização e do código de barras nas medicações, conseguiremos saber para onde foi e se a pessoa pegou mais em menos de 30 dias", completa o secretário, dizendo que a parte pesada de hardware a secretaria já possui, sendo necessário o software e a conectividade.

A medida pretende ainda controlar e diminuir a perda de medicações nas unidades. As UPAs, por exemplo, trabalham com três salas contendo remédios. Com a mudança, apenas um local, com farmacêutico, ficaria responsável pela distribuição interna. 

Com a integração em rede, a expectativa da secretaria é de poupar para conseguir adquirir maior quantidade de medicamentos antes do final de ano, época em que os fornecedores entram em férias coletivas e os pedidos atrasam mais.

Gazzetta: ‘Investimento aumentou em 25,7%’

O secretário municipal de Saúde José Eduardo Fogolin e o prefeito Clodoaldo Gazzetta procuraram a reportagem, ontem, para rebater a afirmação feita pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), anteontem, de que a atual gestão tem agido para "sucatear a Saúde" e, depois, privatizar.

Munidos com dados do sistema financeiro da prefeitura (Sistema Cecam), eles apontaram que os investimentos em insumos e medicamentos e demandas judiciais aumentou 25,7% de 2016 para 2017, de 13,1 milhões para 16,5 milhões. "O sindicato está no seu direito, mas dizer que a administração está sucateando a Saúde não tem fundamento. Investimos mais, abrimos concurso para servidores, ampliamos serviços e não deixamos nenhuma UPA fechar", pontua Fogolin.

"Enviaremos relatório com todos os demonstrativos ao Ministério Público", finaliza Gazzetta.

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