A Secretaria Municipal de Cultura recebeu recurso da diretoria da Mocidade Unida da Vila Falcão, que contesta o resultado final do Carnaval de Bauru 2018. A escola ficou em segundo lugar, atrás da Cartola. Não se trata, contudo, de questionamento em relação à primeira colocada, mas sim de um equívoco supostamente cometido por um jurado em relação à própria Mocidade.
Dessa forma, o documento aponta suposto erro no critério que teria sido usado pelo jurado Milton Café Neto ao avaliar o casal mestre-sala e porta-bandeira. Em tese, se houver correção, o procedimento alteraria o resultado final do Carnaval 2018, concedendo o título à Mocidade por um décimo.
Entenda mais
Jair Odria, presidente da agremiação, diz ao JCNET que, em acesso aos documentos com a justificativa dos jurados, na última semana, a diretoria descobriu que Café Neto teria dado a nota 9,7 como uma média pelas três apresentações dos casais que desfilaram pela escola.
“Mas isso não existe. A nota deveria ter sido dada somente para o primeiro casal que desfilou. Estava apontado qual era esse casal na sinopse que entregamos para todos os jurados. A regra é clara, o critério é o mesmo do Carnaval do Rio e de São Paulo: só o primeiro casal deveria ter sido avaliado. Aliás, os outros jurados não julgaram por média”, defende Odria.
Segundo Jair Odria, o primeiro casal da Mocidade, composto pelo mestre-sala Jeferson (Tico) e Mariana, que estava de vermelho e logo atrás da bateria, obteve nota (muito boa) de 9,9. O segundo casal teria sido avaliado com 9,6 e o terceiro com 9,7.
“Ele escreveu na justificativa que, com base em média, a nota final foi de 9,7. Mas se tivesse considerado a nota do primeiro casal, seria 9,9, o que faria com que ganhássemos o Carnaval por um décimo”, pontua.
Cultura fala
Secretário de Cultura, Luiz Fonseca informou que analisará o caso junto ao departamento jurídico. Ainda no sábado, a diretoria da escola se reuniu com três advogados para discutir a situação e resolveu ingressar com o recurso reivindicando a correção da nota, primeiramente, na Secretaria Municipal de Cultura, conforme prevê o regulamento.
“Não vejo como má-fé, o jurado pode ter se confundido ou não ter lido direito o regulamento. A Cartola também não tem culpa alguma. Só estamos reivindicando algo justo, um erro assim desmotiva a gente”, finaliza Odria.
Premiação
A escola Acadêmicos da Cartola recebeu o troféu de vencedora do Carnaval bauruense, na última quarta-feira (14), no Centro Cultural.
Com 179.5 pontos, a agremiação levou o 13.º título para casa após dois anos sem vitória. Com 1 décimo atrás, com 179.4, a Mocidade Unida de Vila Falcão conquistou a segunda posição.
Cartola e Mocidade Unida seguiram, desde o início da apuração, no Centro Cultural, com poucos décimos de diferença e com a escola da Vila Falcão na liderança.
A virada, conforme o JC noticiou, aconteceu no quesito fantasia - sétimo dos nove avaliados -, quando a Mocidade Unida recebeu sua nota mais baixa, 9.7 e Cartola assumiu a ponta. (Com Ana Beatriz Garcia)
O desfile
Com o enredo "As mãos que trazem à vida, criam, agradecem e fazem o Carnaval", a Cartola foi a primeira escola a pisar na passarela do samba, no primeiro dia de desfile, sábado 10 de fevereiro, com dez alas e quatro carros alegóricos.
A Mocidade entrou na avenida do samba na segunda noite de apresentações, por volta das 2h de terça-feira. Com o enredo ‘Tem riquezas na terra das cerejeiras’, a agremiação mostrou as relações de Tenri com Bauru, sua cidade-irmã. Os cerca de 550 componentes desfilaram com oito alas e quatro carros. (Com Ana Beatriz Garcia e Cinthia Milanez)
Tamborim
Apesar de não levar o título oficial do Carnaval no sambódromo, a Mocidade Unida da Vila Falcão foi eleita a como melhor escola pelo Tamborim de Ouro 2018, prêmio concedido há mais de quatro décadas e organizado até este ano por Tobias Ferreira Filho (Tuba). Ele diz que foi a edição final da premiação. (Com Ana Beatriz Garcia)