Tribuna do Leitor

A maldade está nos olhos... e nas intenções

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 2 min

Primeiramente, sr. Roque Ferreira e família Nogueira Marciano, quero lembrá-los que vivemos num país democrático, onde são garantidas liberdades, entre elas a de pensar.

E isso inclui divergir.

Aliás, se tivessem tido a capacidade e coerência de interpretar, minha questão não é, nem nunca foi, sobre a existência ou não do preconceito, mas sim sobre a forma policialesca com que qualquer assunto vem sendo tratado. Como já foi dito, "a maldade, muitas vezes, está nos olhos de quem vê".

Observem que os foliões mencionados pelo senhor Roque, vítimas dessa perseguição ideológica do "politicamente correto", não se sentiram diminuídos em usar suas fantasias.

Como disse o Marcão da bateria do Salgueiro: "São negros que se pintam de negro. É nossa raça..."

Como se conclui, onde alguns (inclusive negros) enxergam o enaltecimento da própria raça, a valorização da cultura popular do carnaval, outros veem maldade, discriminação e preconceito...

Gente que abomina o "Black Facie" do carnaval, mas não tem a menor cerimônia em vestir a fantasia do coitado ou do perseguido o ano todo. Essa a diferença entre pessoas como o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que usou o preconceito como estímulo ao desenvolvimento pessoal, e aqueles que usam o preconceito como justificativa para tudo.

Aliás, vindo de origem muito humilde, hoje este "racista estrutural" tem condições de ajudar outras pessoas em projetos sociais (inclusive no nordeste e na África), enquanto muita gente fica de blá blá blá ou mimimi.

Isso porque desde pequeno fui ensinado pelo meu pai a não utilizar nossa condição financeira desfavorável como desculpa para não evoluir.

Para concluir, duas coisas me irritam muito. Uma é o preconceito, de qualquer natureza, especialmente aquele dissimulado e invisível a olho nú e que muitas vezes está, inclusive, na outra face da moeda (se é que me entendem).

A outra, é se isolar fatos, frases e imagens, dando-lhes conotações ortodoxas e exacerbadas, transformando a reflexão em discurso xiita, muleta ou palanque eleitoral. Agora, esclarecido meu ponto de vista, podem distorcer minhas palavras e atirar sobre mim suas insatisfações pessoais.

Eu não ligo. Prefiro continuar acreditando e investindo em gente que olha e luta pelo futuro, ao invés de viver num passado de sofrimento eterno, onde a história é contada pela metade.

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