| Aceituno Jr. |
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| Evento ontem no Museu Ferroviário: Andrey Kenji, Miltom Maia Soares, Marcos Henrique de Paula Dias da Silva e Antônio Polesel Neto |
Os gráficos e a interatividade oferecidos pelos jogos online não foram suficientes para aposentar os tradicionais jogos de tabuleiro. A cada ano, ganha mais força no Brasil um movimento de retomada do interesse neste tipo de hobby, que costumava reunir crianças, jovens e famílias inteiras entre as décadas de 1980 e 1990.
Mas, no lugar de clássicos como War, Banco Imobiliário, Detetive e Jogo da Vida, tomam as mesas os chamados jogos modernos, que unem competições estratégicas em tabuleiros de design caprichado e dinâmica complexa. Títulos como Guerra dos Tronos, Dead of Winter, The Godfather e Potion Explosion são bastante conhecidos dos adeptos, em sua maioria pertencentes à geração geek que tem entre 18 e 40 anos de idade.
Ontem, eles se reuniram no Museu Ferroviário Regional de Bauru para participar do 3.º Encontro de Jogos de Tabuleiro. Segundo o organizador Gustavo Padoves, a dimensão do evento vem aumentando rapidamente a cada ano, totalizando, nesta edição, a marca de quase 70 inscritos.
"No primeiro ano, para ter uma ideia, foram 30 inscritos. É um movimento que está crescendo no mundo todo. No Brasil, o 'boom' no mercado começou a partir de 2010 e, em Bauru, também é uma tendência forte", revela.
Gustavo explica que o perfil majoritário dos jogadores é de universitários ou pessoas já graduadas que gostam de jogos eletrônicos. "A diferença é que elas começaram a sentir a necessidade de maior contato social", acrescenta, salientando, no entanto, que a Internet contribuiu para a renascença e a expansão dos jogos "à moda antiga", por meio de comunidades no Facebook, canais específicos no YouTube e portais de jogos de tabuleiro como o Ludopedia, considerado um dos maiores do Brasil.
DIFERENCIAL
Como os praticantes fazem parte de uma geração com gostos e experiências bastante diferentes da dos anos 1980, os jogos de tabuleiro modernos trazem algumas peculiaridades, como tempo de duração limitado - o que não acontecia com o War, por exemplo. Outro diferencial são os temas, quase sempre voltados à ficção científica ou fantasia medieval - que se assemelham ao de jogos eletrônicos, ou, ainda, inspirados em séries ou filmes.
"Há alguns, ainda, de RPG (sigla da expressão inglesa Role Playing Game, ou, em português, jogo de interpretação de papéis), justamente para agradar quem gosta deste gênero", acrescenta o organizador.
Um dos apaixonados pelas versões atuais dos jogos de tabuleiro é o analista de suporte Antonio Polesel Neto, 24 anos. O hobby, adquirido há cerca de dois anos, foi responsável, inclusive, pela conquista de muitas amizades, com quem o jovem mantém contato mesmo quando a intenção não é o jogo.
"Faço parte de uma turma muito unida, de uns oito amigos. Nos conhecemos por conta do jogo e, hoje, fazemos muitas coisas juntos, como sair para tomar um lanche, fazer um churrasco, comemorar o aniversário de alguém. O jogo acabou se tornando apenas um assunto em comum", afirma.
Protótipo feito por bauruense narra a história da imigração no Brasil
Quem participou da 3.ª edição do Encontro de Jogos de Tabuleiro pôde conhecer de perto o protótipo desenvolvido pelo editor de vídeo Guilherme Bacciotti, 30 anos. Morador de Bauru, ele trabalha há quase três anos no aperfeiçoamento de seu projeto, chamado Imigrantes, e, em eventos como o de ontem, realiza testes com jogadores.
"É o que chamamos de play test, um processo que ocorre a passos lentos, porque dependo da boa vontade das pessoas. Mas a recepção tem sido bastante positiva", conta.
Imigrantes é um jogo de estratégia, classificado como eurogame, que conta a história do Brasil a partir da chegada dos imigrantes entre 1888, ano da abolição da escravidão, até 1945. Não há, segundo Guilherme, a pretensão de classificar o jogo como educativo, e sim de relembrar, de maneira lúdica, fatos passados importantes do País.
"No início, tive receio em investir neste tema, que não é muito comum entre os jogos que existem no mercado. Com a boa aceitação, a intenção é continuar apresentando o protótipo em eventos e concursos e, se tudo der certo, atrair o interesse de uma editora para lançar o jogo", completa.
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