| Samantha Ciuffa |
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| Vereadora Rosamaria, de Agudos, e Aldo Rebelo, em entrevista no Café com Política do JC |
O ex-deputado federal e ex-ministro Aldo Rebelo (PSB-SP) esteve em Bauru na última semana, e concedeu entrevista no Espaço Café com Política do JC. Ele é pré-candidato a presidente, mas afirma que a decisão será tomada em conjunto com o partido, caso seu nome seja o mais viável. Rebelo foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro das Relações Institucionais, dos Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Defesa, todos nos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, sempre adotando postura nacionalista.
Natural de Viçosa (AL), Aldo Rebelo fez boa parte da carreira política em São Paulo, e permaneceu por 40 anos no PCdoB. Ele deixou a sigla no ano passado e filiou-se ao PSB. O ex-deputado faz críticas à forma como o Brasil vem sendo conduzido e à postura dos manifestantes, afirmando que o País está "desorientado", ressaltando a necessidade de uma eleição com decisões bem pensadas pela população, para que o Brasil volte a ter um rumo nos próximos anos.
Rebelo veio acompanhado da vereadora de Agudos, Rosamaria (SD), do ex-secretário de Esportes de Agudos, Barata, e do assessor da senadora Marta Suplicy (MDB), Roderlei Pachani. A seguir, você confere os principais trechos da entrevista ao JC na última semana:
JC - Por que o senhor decidiu mudar de partido?
Rebelo - Embora possa parecer lugar comum, acredito que é um esgotamento. Passei 40 anos no PCdoB, em uma época muito diferente de hoje. Vim do interior do Nordeste, sempre fui muito nacionalista. Talvez eu tenha ficado conservador para essa agenda da modernidade. Tenho muito respeito pelo PCdoB, tenho amigos lá, mas achei que era melhor sair, e fui para o PSB, uma legenda com que tenho afinidade. Fui amigo do Miguel Arraes e do Eduardo Campos, então me sinto em casa. Aqui, em Bauru, tenho muito contato com a Majô Jandreice (ex-vereadora e atual chefe de Gabinete da Prefeitura), que segue no PCdoB, como presidente municipal do partido e é minha amiga. Fui com ela visitar o prefeito Clodoaldo Gazzetta e a Câmara Municipal. Mantenho contato sempre com ela e outros membros do partido na região.
JC - Pretende sair candidato a presidente?
Rebelo - Esse é um projeto político que deve servir ao partido. O PSB transita bem como outras legendas, participamos do governo do MDB no Rio Grande do Sul, do PSDB no Paraná e aqui em São Paulo, do PT na Bahia e do PCdoB no Maranhão. O PSB governa Pernambuco em composição com outros partidos. Em São Paulo, vamos ter o Márcio França como governador, a partir de abril, candidato à reeleição e estou empenhado em ajudar. Então, temos essa facilidade, um perfil político mais nacionalista. Coloco meu nome como pré-candidato a presidente, mas o partido é livre para tomar decisões, inclusive, se entender que deve compor com outras legendas. Posso concorrer a deputado federal ou senador. A decisão será tomada em um momento certo.
JC - E a possibilidade de um apoio tucano ao Márcio França em São Paulo e do PSB a Alckmin para presidente? Ainda pode acontecer?
Rebelo - Houve e ainda há negociação em torno da possibilidade do PSDB abrir mão de candidatura a governador em São Paulo para apoiar o Márcio França, e o PSB compor com o Geraldo Alckmin para presidente. Porém, o PSDB deve lançar candidato próprio no Estado, que seria o João Dória, e isso pode criar um ponto de atrito. Mas, ainda vamos analisar a situação, até porque o Alckmin ainda não articulou uma composição mais ampla.
JC - Como o senhor avalia o atual cenário político do Brasil?
Rebelo - O cenário atual é de fragmentação e, mais do que isso, o País vive um processo de desorientação. Não há uma agenda que une, há uma agenda que fragmenta e dispersa. Não discutimos a agenda que unifica o Brasil. Não há possibilidade de enfrentar a crise fiscal sem crescimento, não tem como enfrentar a crise da Previdência ou o desemprego sem retomar o crescimento. A gente não vê esse debate. O que se tem são operações policiais, os temas da violência e outros pautados pela Rede Globo, principalmente em novelas e programas de entretenimento.
JC - O senhor foi ministro da Defesa. Como vê a intervenção do governo federal com as Forças Armadas no Rio de Janeiro?
Rebelo - No primeiro governo do presidente Lula, quando era ministro das Relações Institucionais, ele me encarregou de apoio ao governo da Rosinha Garotinho (então governadora do Rio de Janeiro), e eu vi todas as dificuldades. A ação do Exército e das Forças Armadas na área de segurança pública é limitada, pois não há instrumentos para a repressão ao crime. Isso é papel da Polícia Civil e da Polícia Militar. O Exército é para defesa nacional. Pode ajudar em alguma ação ostensiva, mas o serviço de inteligência, e ir atrás de criminoso, tem que ser com a Polícia Civil e Militar. Então, é preciso ter realismo. as Forças Armadas são treinadas para outras finalidades. Quando fui ministro da Defesa, tive uma boa relação tranquila, pois temos um ponto em comum, algo fundamental, que é o nacionalismo.
JC - O senhor chegou a apresentar um projeto de lei para restringir o uso de estrangeirismos na língua portuguesa, em 1999, qual era a ideia na época?
Rebelo - Era mesmo de valorizar o idioma. As pessoas que não dominam a língua portuguesa tem dificuldade em dominar as outras línguas, e não apenas para interpretar textos, mas em outras áreas.
Debate sobre o Código Florestal
O atual Código Florestal teve Aldo Rebelo como relator na Câmara dos Deputados. Nessa quarta (28), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela manutenção do Código da forma como foi aprovado, pois havia questionamentos através de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).
"Esse debate sobre o Código revela uma desorientação, igual tivemos na época da Copa do Mundo. Estávamos preparando o maior evento do mundo, e muitas pessoas dizendo que não ia ter Copa, protestando. No caso do Código Florestal, a lei foi elogiada na Conferência de Paris, mas as mesmas ONGs que elogiam lá, entram com uma ADI, junto com o Ministério Público, atendendo a interesses de concorrentes do Brasil, que são agricultores norte-americanos e europeus. O nosso território tem muito mais áreas preservadas que a destes locais, a agricultura do Brasil ocupa apenas 7% do território, menos do que nessas nações do mundo", afirmou Rebelo.
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