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160 anos construindo Lençóis Paulista

Sidney Aguiar
| Tempo de leitura: 3 min

"Era fevereiro de 1839, regulava o meio-dia e o sol refletia nas suas águas de espumas brancas" ...Quando o rico fazendeiro produtor de café,Francisco de Paula Salles descia o rio Tietê na proa de Avanhadava, passando pelo canal das "Barras Bonitas" do Tietê (uma das antigas denominações do município de Barra Bonita), encontrando na margem esquerda um belo rio de espumas brancas (que até hoje forma na sua foz), despejando suas águas na belíssima queda d'água que existia no Tietê. Salles, na beira do antigo Porto Martins, foi um dos primeiros construtores da cidade que hoje leva o nome do rio que ele mesmo eternizou no registro da escritura de terras de sua fazenda, no antigo povoado das "Barras Bonitas" do Tietê, de "Águas dos Lençóes". De lá para cá muitos construtores passaram e deixaram suas contribuições para que a rica Lençóis Paulista se tornasse a Terra da Cachaça, Princesa dos Canaviais, Cidade do Livro e a Terra dos Poetas.

Anônimos e famosos, intelectuais ou não, nasceram, passaram ou morreram nas terras de Lençóis deixando seus legados registrados na história dessa cidade que chega aos 160 anos assumindo agora o título de polo industrial de uma das regiões mais prósperas do rico interior paulista.

Dizer que Lençóis Paulista está totalmente arquitetada não seria o correto, pois ela está sempre em construção. Se fôssemos medi-la comparando-a com uma pessoa, poderíamos dizer que ela teria a idade de uma pessoa de quarenta anos de idade, preparada para cumprir, digamos, mais a metade do seu tempo.

Lençóis Paulista ainda pode ser chamada de vários outros títulos, como a Terra da Carne Bovina, a Terra do Macarrão e do Biscoito, a Terra do Etanol e do Papel ou a Terra da Petroquímica e da Celulose. A Cidade do Livro contribui economicamente e culturalmente com vários outros municípios da região como Areiópolis, Macatuba, Borebi, Agudos e também Bauru. É a irmã sanguínea mais velha da "Cidade das Águas" (Agudos), e da "Cidade Sem Limites" (Bauru), pois foram de Lençóis que os Cardia Machado, Fayad, Magnani e os Martins partiram para povoarem as irmãs mais novas. Ainda hoje é possível ver as semelhanças culturais presentes na arquitetura e nos costumes desses municípios, mas também as inúmeras indiferenças que hão de sempre existir entre eles.

Observa-se, também, traços conservadores na cultura da "Princesa dos Canaviais", que fazem com que Lençóis Paulista esteja ligada aos valores do passado e ainda resistente às tendências do futuro. Isso evidencia que a construção de Lençóis Paulista precisa ser arquitetada por pessoas de bons valores que entendam a necessidade de edificar um futuro sustentável e promissor, aliando o compromisso de cuidar dos patrimônios naturais e culturais conquistados e projetando o desenvolvimento econômico do futuro.

"Parabéns, Lençóis Paulista! Por tua fé e tradição; Por teu povo honrado e forte, consciente e cristão. Das tuas lutas no passado, às conquistas do presente; Te fizeste solo amado dos teus filhos competentes (...) Lençóis Paulista, antes boca do sertão, que hoje é marco de progresso da nação; Que se destaca por sua raça tão viril, que honra São Paulo e o Brasil!" (Trecho do hino oficial de Lençóis Paulista).

O autor é nascido em Lençóis Paulista, pesquisador, especialista em sustentabilidade e Direito Ambiental e colaborador do JC.

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