Países desenvolvidos, mesmo sendo responsáveis por menores taxas de acidentalidade viária, vêm desenvolvendo pesquisas visando tornar o seu trânsito mais seguro e sustentável.
No século XX, os programas voltados à segurança de tráfego reduziram significativamente as taxas de acidentes de trânsito No entanto, esses ganhos foram parcialmente compensados pelo aumento do número de viagens, resultando em menores quedas nos índices de acidentes per capita. Estes são resultados de pesquisas realizadas por Todd Litman, do Victoria Transport Policy Institute, dos Estados Unidos. Novas pesquisas têm melhorado a compreensão dos riscos do trânsito e potenciais estratégias de segurança por parte de engenheiros de tráfego.
Conclui a pesquisa de Litman que, na última década, nos países desenvolvidos, as taxas de acidentes baseadas na distância estabilizaram. No entanto, as mortes no trânsito aumentaram com o crescimento do número das viagens por automóveis. O número total de mortes é o resultado das taxas de acidentes com base na distância e do total de viagens feitas pelos automóveis. Isso indica que as atuais estratégias de segurança de tráfego estão se tornando menos eficazes.
Por isso, são necessárias novas abordagens para alcançar metas de segurança ambiciosas, como a do "objetivo zero mortes", estabelecido por países desenvolvidos.
Políticas públicas que aumentam as viagens de automóveis, como expansões em rodovias, incentivo à indústria automobilística e desenvolvimento disperso das cidades, tendem a aumentar os acidentes de trânsito. Por outro lado, estratégias de redução de viagens de automóveis podem aumentar a segurança, além de outros benefícios.
Um novo paradigma reconhece que: todas as viagens impõem riscos; os acidentes adicionais resultam de políticas e práticas de planejamento que estimulam as viagens de automóveis; Benefícios de segurança são proporcionados pelas estratégias de redução de viagens de automóveis, planejamento para múltiplos modos de transportes, preços adequados para os modos coletivos de transporte, políticas de desenvolvimento do crescimento urbano e de transportes inteligentes e programas de Gerenciamento de Demanda de Transporte.
Muitas dessas estratégias fornecem benefícios significativos, além de maior segurança. Por exemplo, uma precificação de transporte mais eficiente ajuda a reduzir o congestionamento e as emissões poluidoras, e pode gerar novas receitas para financiar melhorias no serviço de infraestrutura para pedestres, ciclistas e transporte público.
Desenvolvimento mais compacto das cidades e planejamento de transporte multimodal tendem a aumentar a acessibilidade do transporte, melhorar as opções de mobilidade para não motoristas e aumentar a saúde dos usuários e a saúde pública, sendo particularmente benéficos para pessoas com deficiências físicas e econômicas, que desejam opções de viagem não automobilísticas. Quando todos os impactos são considerados, essas novas estratégias são muitas vezes a maneira mais eficiente e justa de aumentar a segurança no trânsito.
O autor é especialista em segurança viária, doutor em Engenharia de Transportes (USP) e diretor de Mobilidade da Assenag.