Se, desde criança, houver: 1) a convivência com os fatos e os vários tipos de seres humanos sem preconceitos e 2) os estímulos para a curiosidade e sensibilidade, teremos uma pessoa criativa que poderá ser um excelente professor na sua plenitude, se esta for sua proposta de vida. Mas haverá de ter trabalho, perseverança e determinação.
Alguns estudos revelam que os jovens com opção para ser professor são aqueles que não têm outra alternativa por questões econômicas e sociais. As faculdades que formam professores são gratuitas ou têm mensalidades pequenas. Entre se sacrificar por alguns poucos anos, em vez de partir para um emprego braçal, muitas jovens escolhem ser professora, apesar de não sonhar com isto, mas por falta de uma outra opção.
São poucas pessoas que têm o sonho de ser professoras e persistem, mesmo sabendo o tipo de remuneração que as esperam ao longo de sua vida, necessariamente vida sofrida e cheia de restrições. Os que mais se destacam na vida escolar até chegar à faculdade preferem buscar outras profissões mais valorizadas pela sociedade. Deixando claro que ser valorizada necessariamente significa ter bons salários e condições financeiras para se levar uma vida digna e tranquila.
A sociedade deve lembrar que seus filhos irão passar muitas horas com professores servindo de exemplo e paradigmas por toda sua vida. É muito difícil ser professor exemplar com dívidas, transporte difícil, problemas familiares e falta de tecnologia para se atualizar e buscar ser um melhor profissional. Para ser bons exemplos, os professores precisam ter vidas confortáveis e saúde mental preservada e estável.
A arte de ensinar exige tolerância com a contradição, com a dúvida, com a ambiguidade, com o espírito crítico e criatividade manifestada. Devem ser aceitas as diferenças com naturalidade em um ambiente de cordialidade, lealdade e respeito às regras. Para ser bom professor, se deve viver intensamente o seu tempo e procurar ver os brilhos dos olhos dos que aprenderam como recompensa por tamanha doação de energia vital.
Ensinar não é um dom divino ou talento, é um trabalho que requer muito treinamento e disponibilidade mental. Ensinar é uma competência que se aprende com muito profissionalismo. Falar bem, ter um rico vernáculo e boa postura corporal não habilitam a ser um bom professor. O professor tem a inspiração, concepção, criatividade, reflexão e organização como fontes, mas isto exige muito tempo e trabalho. Há de se ler, escrever, desenhar, ordenar, etc.
Não se consegue ser bom professor apenas extraindo ou traindo "informação" e "conhecimento" apenas de bate-papos e conversas de bar, café e de corredores de centros de compras. O livro virtual ou de papel tem quer lido, não se adquire o seu conhecimento lendo apenas a sua "orelha", aquela parte dobrada da capa do livro com a foto do autor e com uma super-mini-resenha. A "cultura de orelha" é muito pouco para um bom professor!
A Costa Rica é considerada o país mais democrático e feliz das Américas e seu exército foi extinto em 1949 e na época se dizia que seria substituído por um "exército" de professores.
A partir daí, todos os seus presidentes eleitos são coincidentemente professores e a taxa de analfabetismo é praticamente zero. Falar e ler sobre a Costa Rica é uma boa forma de dizer "Feliz Dia do Professor"!
O autor é professor titular pela USP e colunista de Ciências do JC.