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A força do coletivo no protesto dos caminhoneiros

Celso Nascimento
| Tempo de leitura: 2 min

A paralisação dos caminhoneiros despertou a atenção da população para duas questões essenciais: para o alto preço dos combustíveis no Brasil e para a pesada carga de imposto que o brasileiro paga diariamente. Uma coisa reflete diretamente na outra e está gerando uma onda de descontentamento muito grande na sociedade. A mão pesada da carga tributária no Brasil provoca impacto direto no preço dos combustíveis, especialmente da gasolina, cujo valor pago pelo consumidor tem incidência de 45% de imposto.

Quase a metade do valor que pagamos pela gasolina é recolhida em forma de imposto. No caso do diesel e do etanol, a carga é menor, perto de 30%, mesmo assim é um percentual significativo, que pesa no bolso.

No entanto, o que mais incomoda a população em geral é que a cobrança exagerada de impostos não é revertida pelo governo em prestação de serviços de boa qualidade.

Pagamos uma carga elevada de impostos, mas não temos educação de qualidade, o atendimento na área da saúde é precário, a segurança pública não é boa o suficiente para que a população se sinta protegida, o déficit de moradia é alto, enfim pagamos caro por um serviço ruim. E chega um momento que fica difícil controlar o descontentamento com a situação.

É o que está acontecendo com a paralisação dos caminhoneiros. Uma parte da população está de acordo com o movimento porque não aguenta mais pagar tanto imposto e não receber nada, ou quase nada, em troca.

O Brasil tornou-se um país muito caro e está precisando de um choque de gestão antes que fique inviável. É preciso gastar melhor a montanha de dinheiro arrecadado. É inaceitável que se cobre uma carga tão elevada de impostos e não recebamos nada suficientemente bom em troca.

As grandes mudanças normalmente ocorrem após manifestações públicas generalizadas, como esta que estamos vivendo atualmente. Seria um avanço significativo para o país se desta paralisação dos caminhoneiros nascesse um debate amplo sobre a necessidade de rever o tipo de tributação que é praticado no Brasil e seus efeitos sobre a população.

O movimento terá valido a pena se despertar em cada cidadão brasileiro a conscientização da força e da autoridade que o povo tem para exigir mudanças que levem a um país melhor e mais justo.

O apoio que os caminhoneiros têm recebido de parte da sociedade é um indicativo desta conscientização coletiva. As pessoas deram seu apoio ao movimento mesmo sofrendo diretamente as consequências da paralisação. E isso acontece porque essas pessoas se identificaram com a insatisfação dos caminhoneiros e, como eles, estão cansados de pagar uma conta alta por tudo e ter retorno em quase nada.

A figura do brasileiro egoísta, que só se preocupa consigo mesmo, que gosta de levar vantagem em tudo, precisa dar lugar a esse cidadão que pensa coletivamente, no bem comum a todos. Só assim a estrada estará livre para o Brasil seguir, com o tanque cheio, rumo ao crescimento.

O autor é deputado estadual e líder do PSC/SP.

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