Tribuna do Leitor

Pequizeiros remanescentes em áreas urbanas

Antonio Cicero de Oliveira - O autor é licenciado em geografia
| Tempo de leitura: 2 min
Na Semana do Meio Ambiente, a Simab 2018, trouxe uma reflexão sobre o que resta da nossa flora originária, com o tema "Cerrado, o Coração Verde de Bauru". Se retroceder nossa história há 100 anos, Bauru era um nascente povoado. Tínhamos uma exuberante vegetação; florestas, savanas e campo cerrado. Com a vinda dos trilhos da ferrovia, o então povoado, entra em contato com diversas regiões do país. Logo vieram a abertura de fazendas para práticas agrícolas e pecuária. Era dado o início ao desmatamento para formação e expansão do núcleo urbano. Mais tarde, a construção de núcleos habitacionais, condomínios, distrito industrial, a população já duplicava.
 
Atualmente, olhando no mapa, a mancha urbana concorre com o território do município. Crescemos tanto que reduzimos nossa flora original a fragmentos de vegetação, dispersos, de pequenas proporções, rodeados pela urbanização e culturas agrícolas. Crescemos, somos um polo centralizador de atividade comerciais e de serviços. Há quem diga: a cidade mais pujante do interior paulista; cidade do automóvel, do mercado imobiliário, das universidades, do paisagismo exótico etc. É neste espaço construído antropizado que uma espécie nativa árbórea do Cerrado, com tantos exemplares aliás, única espécie arbórea do Cerrado, resistindo à urbanização, é vista nas regiões leste, sul e oeste, onde existia vegetação de Cerrado. Tambem é vista na região norte, onde existia a vegetação de Mata Atlântica.
 
Lá estão eles, belos e formosos, produzindo frutos todos os anos, fácil de serem encontrados, em praças públicas, quintais, terrenos baldios, estacionamento de estabelecimento comerciais, clubes de serviços, nos entorno dos fragmento de Cerrado, áreas verdes etc. Um exemplar no Núcleo Geisel foi tombado, um outro enorme mostrando real beleza na Vila Universitária. Nosso pequizeiro é o Caryocar brasiliensis Cambes, o mesmo que ocorre no centro-oeste do país. Lá há outras espécies de Caryocar. Na época da maturação, que vai de dezembro a março, é comum ver pessoas coletando para aproveitamento alimentar. São muitos os pequizeiros, tambem são muitos os frutos que caem no chão, alem de não germinarem, apodrecem e são devorados por formigas e cupins. Não temos quantidade para potencial comercial, nem população extrativista, como acontece no interior do país, que coletam para consumir e gerar renda. Lá, consumir pequi é cultural, aqui o que temos, podemos aproveitar, pricipalmente moradores do entorno dos fragmentos. Por fim, o fruto proporciona uma variedade enorme de prato na culinária, como exemplo o famoso arroz com pequi, galinhada com pequi, tortas, bolos, paçoca da castanha, oleo da polpa e castanha, sorvete e o delicioso licor etc. De flores grandes e vistosas, fruto dupráceo carnoso, de cor amarelo intenso, o Pequi é considerado alimento saudável, nutraceútico. E aí? Vamos coletar pequi?
 
 

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