Regional

Laudo: apodrecimento de madeira provocou a queda de telhado em Agudos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

O laudo da vistoria realizada por técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a pedido da Prefeitura de Agudos (13 quilômetros de Bauru), após queda do telhado da creche berçário Professora Diomira Napoleone Paschoal, a Dinapa, em 18 de abril, revelou que o apodrecimento de parte da madeira que dava sustentação à estrutura foi o que causou o desabamento. Na ocasião, 12 crianças e seis adultos (duas professoras e quatro berçaristas) ficaram feridos.

Segundo o documento, assinado por um biólogo e um engenheiro civil do IPT, durante a visita técnica, foram analisadas visualmente as tesouras (armações de madeira triangulares usadas em telhados que cobrem grandes vãos) do prédio da creche. Os técnicos também coletaram amostras das madeiras das estruturas para avaliações detalhadas.

Os estudos mostraram que, no acidente, desabaram cinco das 11 tesouras que davam sustentação ao telhado do prédio, sobre o almoxarifado e o refeitório. Nas regiões de apoio de duas dessas cinco tesouras (onde a madeira se une às colunas de alvenaria), os técnicos do IPT detectaram "intenso apodrecimento causado por fungos de podridão parda".

Ainda de acordo com o relatório, esse apodrecimento da madeira "promoveu a ruptura ou escorregamento do banzo (viga de madeira) superior sobre o inferior", o que "sobrecarregou os banzos inferiores, que romperam por flexão na emenda parafusada", levando à queda da estrutura do telhado.

RESPONSABILIDADE

Para a Prefeitura de Agudos, que também divulgou relatório sobre o acidente, o laudo do IPT revela que "o ponto de apodrecimento que gerou o colapso se localizava dentro da coluna de alvenaria, ou seja, não era possível perceber visualmente este apodrecimento antes do colapso". "Não é possível imputar responsabilidade pela fatalidade a um indivíduo devido à localização indetectável visualmente do ponto de apodrecimento da estrutura", cita o município no documento.

CRONOLOGIA

A creche berçário Professora Diomira Napoleone Paschoal, a Dinapa, atendia 121 crianças com idades entre seis meses e três anos. No dia e horário em que o telhado do prédio desabou, alguns alunos e funcionários estavam no refeitório.

Doze crianças e seis adultos (duas professoras e quatro berçaristas) ficaram feridos e foram levados para unidades de saúde de Agudos e região. Uma das professoras sofreu fratura na coluna e permaneceu internada em um hospital particular.

Após o acidente, o prédio da creche foi interditado e as 121 crianças foram remanejadas para quatro escolas da cidade. Nos próximos dias, todas elas deverão ser transferidas para o prédio do antigo Sesi, que fica na vila Professor Simões.

No dia 23 de abril, Câmara de Agudos aprovou por oito votos a quatro abertura de Comissão Processante (CP) para cassar o mandato do prefeito Altair Francisco Silva (PRB) em razão do desabamento do telhado.  CP ainda está na fase de oitivas.

Em maio, o governador Márcio França (PSB) autorizou a liberação emergencial de um recurso da ordem de R$ 3 milhões para que a Prefeitura de Agudos realize licitação para a construção de uma nova escola no local onde funcionava a Dinapa.

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