Tribuna do Leitor

Nem foice, nem fuzil

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 3 min

Desde que se iniciou a corrida presidencial, temos sido bombardeados diariamente com comentários que nos chegam pela mídia digital, desqualificando ou rotulando de forma pejorativa qualquer candidato mais expressivo, minando a esperança do povo: a Marina é muito mole... Ciro Gomes é comunista... e outras idiotices. Curiosamente, somente um candidato escapa desses ataques anônimos. Pois então, resolvi falar "quem" e "o que" representa esse "um". Se analisarmos as grandes potências mundiais, países democráticos e capitalistas, veremos que nenhum possui governo de origem militar. Se verificarmos a tão comentada Venezuela, saberemos que de comunista ou socialista ela não tem nada. O Chavismo foi e é apenas um embuste para justificar uma ditatura militar que lá se instalou, mostrando sua face perversa: os meios de imprensa foram calados, os mais ricos ascenderam... os mais pobres caíram na miséria... A justiça teve seus membros destituídos, para garantir decisões absurdas, favoráveis ao regime... Os opositores são perseguidos.... Sinceramente isso, me lembra muito um outro golpe, onde os militares à pretexto de "combater o comunismo", foram chegando de mansinho e por aqui se instalaram por 20 anos... Vinte anos da pior inflação do país... da maior dívida externa... Vinte anos de opositores assassinados, desaparecidos, perseguidos... Vinte anos onde ascenderam ao quadro político gente que dava guarida ao regime... famílias como a de Antonio Carlos Magalhães, de José Sarney, Maluf... e até mesmo gente aqui de Bauru - gente que milagrosamente enriqueceu no período... Tempo de obras faraônicas, de "elefantes brancos" como Transamazônica.... Projeto Angra... Tempo de escandalos como o caso Coroa-Brastel, Capemi, Grupo Delfin ... Tempo em que grandes empreiteiras surgiram e se fortaleceram - como a Camargo Correa... Hoje, esse "um" vem propor esse "maravilhoso" retorno a esse período, pregando entre outras coisas o "estado mínimo"... Pois bem, vamos lembrar que a Dinamarca, país democrático e capitalista, não é um estado mínimo... É um país "Básico", em que se cobram altos imposto, mas que o dinheiro é devolvido a toda a população em suas necessidades básicas: saúde, educação, segurança... Lá o filho da faxineira se senta no banco da universidade ao lado do filho do Ministro... e tudo isso custeado pelo Estado... porque lá eles entendes que democracia é igualdade de oportunidades...

Aqui, entretanto, igualdade é vista como comunismo, confundindo liberalismo com capitalismo selvagem... E é por isso que a Dinamarca tem um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano, enquanto nós, batemos recordes de desigualdade social... E quanto ao combate à criminalidade? Já perceberam que ninguém mais fala sobre a intervenção militar no Rio?... Sabem por que? Porque foi mais um "mico"... Tudo continua como sempre... Os "salvadores da pátria" não conseguiram sequer tomar o controle de uma favela... Isso, porque, para acabar com a criminalidade não basta força... é preciso combater a miséria que a alimenta - mas isso não é de interesse de nossas elites que apoiam esse "um"... Se, na Dinamarca, um trabalhador dorme e sonha com o futuro do seu filho, em nosso país, muitos pais tem pesadelo, pensando em o que vão por no prato dos filhos no dia seguinte... Enquanto isso, nas áreas nobres, uma minoria bem nutrida, sonha com a volta das fardas ao poder - não para resolver os problemas do Brasil - mas para "manter o pobre no seu lugar" ou seja, a margem da sociedade... Por fim, quero dizer que, é preferível avançarmos para o futuro pelo mar, muitas vezes turbulento da democracia, a vivermos amordaçados num mar de Almirante, sob um céu de Brigadeiro... Na democracia, temos a opção de não eleger aqueles que nos desagradam, podemos criticá-los, se eleitos e em última instância, derrubá-los do poder... Mas, quem vai poder criticar ou tirar do poder alguém que tenha por trás de si as pessoas mais poderosas (política e economicamente falando) e em suas mãos o poder intimidatório das armas... O Brasil carece de um(a) administrador(a) que se estabeleça pela competência, não de um caudilho elevado a salvador da pátria, que chegue pelas urnas, mas que depois de lá estabelecido, possa se manter pela força... Não quero a foice o martelo... mas também não quero o fuzil...

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