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Depois de três anos consecutivos de queda, a taxa de mortalidade infantil em Bauru voltou a crescer em 2017. Segundo dados do Departamento de Vigilância Epidemiológica da cidade, o índice subiu para 13 bebês mortos com até um ano de idade a cada mil nascidos vivos. Em 2016, a taxa havia sido de 10,49.
A crise econômica, o corte de investimentos federais em saúde e o avanço de doenças maternas, como sífilis e dependência química, são apontadas como algumas das principais causas do crescimento. Índice mais elevado só havia sido alcançado em Bauru em 2013, quando a taxa de mortalidade ficou em 14,1. Antes disso, resultado semelhante só havia sido registrado em 2005, quando a média foi de 13,07 óbitos para cada mil nascimentos (veja mais no quadro).
Diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Ezequiel Santos destaca que o cenário econômico teve forte impacto na alta de 2017, já que, justamente quando as famílias passaram a precisar mais dos serviços públicos, políticas sociais deixaram de ser expandidas.
"De um lado, com o maior nível de desemprego, as pessoas perderam renda. De outro, os cortes no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) dificultam o acesso à atenção básica, aos serviços essenciais, comprometendo, inclusive, a qualidade do pré-natal, o que impacta diretamente na morte precoce dos bebês", detalha.
Trata-se de uma realidade que não é exclusiva de Bauru. No País, a taxa de mortalidade aumentou em 2016 pela primeira vez desde 1990, chegando ao patamar de 14 óbitos infantis a cada mil nascimentos.
Em Bauru, segundo Ezequiel Santos, as mortes neonatais, de bebês ainda no primeiro mês de vida, estão relacionadas principalmente a problemas de saúde da mãe, especialmente algumas infecções e doenças sexualmente transmissíveis, como infecções urinárias, clamídia e sífilis, além de dependência química. "Nestes casos, a maioria das crianças morre por insuficiência respiratória e sepse", descreve.
Saúde da Família
A epidemia do vírus da zika, que teve papel importante para a elevação da taxa de mortalidade no País, não gerou reflexos nos índices de Bauru, já que não houve registro de mortes de bebês na cidade pela doença.
Outro problema, ainda de acordo com Santos, foi a falta de investimentos para expansão do Programa Saúde da Família, desenvolvido pelo Ministério da Saúde. Em Bauru, são somente 12 equipes, número considerado insuficiente para atender toda a população que depende do SUS na cidade.
"A estratégia prevê a visita do agente de saúde na casa das famílias, inclusive com o acompanhamento da situação de saúde dos recém-nascidos após o parto. Assim como Bauru, a maioria dos municípios não tem, hoje, cobertura de 100%", comenta.
Diferentemente do grande impacto que a crise econômica e o contingenciamento de gastos na área da saúde provocaram sobre a sobrevida dos recém-nascidos, o secretário municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Carlos Fernandes, sustenta que não é possível relacionar a alta da taxa de mortalidade a problemas enfrentados pelo atendimento público na área socioassistencial.
"O acesso a alimentos é fundamental para a garantia de saúde das crianças. E, hoje, só não teve acesso a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e a programas da própria secretaria quem não procurou o serviço ou não se enquadra nos critérios", frisa, salientando que, em Bauru, os repasses federais do Bolsa Família vêm sendo reajustados periodicamente, conforme a inflação e a demanda existente.
