| Malavolta Jr. |
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| Fábio Abritta Filho, da ViaRondon, os vereadores Yasmim e Natalino e o deputado Celso Nascimento |
A construção das marginais da Marechal Rondon, na área urbana de Bauru, finalmente será retomada pela ViaRondon. A notícia foi confirmada pela concessionária em audiência pública na Câmara Municipal, nessa terça-feira (7) à tarde, chamada pelos vereadores Natalino da Silva (PV) e Yasmim Nascimento (PSC), após reportagens do JC mostrarem o problema, no mês passado. A ViaRondon, contudo, revelou que ainda não há nem mesmo um projeto definitivo para as marginais da rodovia. As obras começaram em junho de 2016 e tinham previsão de entrega em até dois anos.
Ao todo, a construção ocorrerá nos 12 quilômetros da Rondon na área urbana de Bauru, entre o Trevo da Eny - acesso para a SP-225 - e o Núcleo Gasparini, no acesso para a SP-294. A retomada das obras foi determinada pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), no mês passado, e o prazo final era segunda-feira (6). A Artesp, inclusive, já acionou o seguro do contrato para garantir a continuidade das obras, caso a ViaRondon não cumpra o acordo.
Até essa terça-feira (7), ainda não havia movimentação de máquinas, porém, a concessionária reiterou que voltará a trabalhar e que já retomou o contrato com as empreiteiras que farão os serviços. Nesta quarta-feira (8), uma reunião entre a ViaRondon, Polícia Militar Rodoviária e Emdurb definirá as mudanças no trânsito durante as obras, para que as máquinas finalmente possam se movimentar.
O diretor de engenharia da ViaRondon, Fábio Abritta, disse que as obras ficarão concentradas agora no trecho entre o Trevo da Eny - único dispositivo já concluído - e a avenida Nações Unidas. Depois é que a obra avançará para a segunda parte, entre a Nações e o viaduto da Rodrigues Alves. A terceira parte será da Rodrigues até a Nuno de Assis, e o último da Nuno até o Gasparini. Um trecho só deve começar quando o anterior estiver pronto e não há data para a conclusão dos serviços. "A obra com esse porte não permite mobilizar a retomada em poucos dias. Já estamos falando com a Polícia Rodoviária e a Emdurb para definir como ficará o trânsito e poder retomar os trabalhos".
CONVÊNIO
O secretário municipal de Negócios Jurídicos, Toninho Garms, frisou que a prefeitura não pode assumir obrigações do Estado ou concessionária, como o custo de desapropriações ou de partes da obra. "Vamos doar as áreas municipais, o restante não é responsabilidade nossa", lembrou. A proposta do convênio, liberando a doação das áreas, foi entregue pelo município em outubro do ano passado e devolvido pela Artesp e ViaRondon apenas em junho, com alterações que implicariam em custos para a prefeitura, o que foi de pronto recusado. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na última semana, já manifestou a mesma posição, com o entendimento de que a obra deve ser custeada pela concessionária.
Já a secretária municipal de Planejamento, Letícia Kirchner, voltou a cobrar a entrega dos mapas com as áreas, para que a prefeitura faça o registro em cartório. Ela cita que a concessionária mandou os mapas, mas fora do formato necessário para a documentação cartorária. A falta do convênio foi a principal justificativa da ViaRondon para suspender as obras. A concessionária entrou na Justiça, mas, em maio deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) deu ganho de causa para a Artesp, considerando que a permissão concedida no governo passado para uso de áreas municipais já é suficiente, até que a doação seja concluída, determinando a retomada.
A audiência teve as presenças dos vereadores Natalino da Silva (PV), Yasmim Nascimento (PSC), Markinho Souza (PP), Roger Barude (PPS) e Miltinho Sardin (PTB), e do deputado estadual Celso Nascimento (PSC), que já fez requerimento na Artesp sobre as obras. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) também já fez cobranças no mesmo sentido, enquanto Markinho Souza, líder do governo municipal, falou que espera a conclusão da obra para evitar um novo 'elefante branco' na cidade, e que cobrará até a solução do caso.]
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Empresas pedem diálogo
Alguns empresários que trabalham ao lado da rodovia Marechal Rondon participaram da audiência e relataram problemas com as obras no trecho onde já houve movimentação no ano passado, na região do Jardim Nicéia. Em um dos casos, de quatro empresas que estavam instaladas nas margens da rodovia há dois anos, apenas uma ainda segue por lá. Outras mudaram de endereço ou encerraram as atividades.
A dificuldade de acesso foi relatada pelos empresários, que buscam agora um diálogo mais direto com a ViaRondon. A concessionária e a prefeitura se colocaram à disposição para manter esse contato, até mesmo porque o projeto ainda passará por ajustes até ser entregue uma versão definitiva.
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Velocidade máxima nas pistas será de 60 km/h
Apesar das inúmeras indefinições que ainda cercam a obra, o JC obteve a informação com os membros da ViaRondon presentes na audiência de como será o funcionamento das marginais. Está definido que a velocidade máxima será de 60 quilômetros por hora, em contraponto aos 80 quilômetros por hora da via principal na área urbana.
A ideia é que menos carros do trânsito urbano entrem na rodovia, tanto que, ao longo de 12 quilômetros, haverá apenas cinco entradas e saídas, em cada sentido, ligando a marginal com a pista principal. Os viadutos e passarelas já existentes serão alargados, contemplando as marginais. Uma nova passarela está prevista ligando o Jardim Contorno ao Jardim Panorama, porém, a construção de um viaduto na altura da Cruzeiro do Sul ficará de fora. Também não será colocada iluminação nas pistas principal e marginais.
Os entroncamentos da Rondon com as avenidas de Bauru são os grandes desafios da obra. O maior deles é com a Nações, que deverá ficar parecido com o novo dispositivo do Trevo da Eny, sem acesso direto para a pista principal. Nos cruzamentos com a Duque e a Rodrigues, os viadutos sobre a rodovia terão de ser alargados e com a Nuno de Assis será necessário uma estrutura sobre a avenida e o Rio Bauru, pois a marginal será contínua.
No trecho entre a Nuno de Assis e a rua Marcondes Salgado, em apenas 200 metros, a ViaRondon concentra 6% de todos os acidentes de sua área de concessão, que vai de Bauru até a divisa com o Mato Grosso do Sul, segundo os diretores da empresa informaram ao JC na audiência. A partir do segundo trecho da obra até o final, a concessionária também já sabe que precisará realizar várias áreas de aterro para que a marginal fique na mesma altura da pista principal, mas em alguns pontos, haverá desnível de altura entre a rodovia e a marginal.
