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Faukecefres Savi, um homem de mil e uma atividades

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis
Entre as tantas paixões de Faukecefres Savi, uma é a fotografia

Cinéfilo, leitor assíduo, fotógrafo "amador avançado", advogado, especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário, jornalista colaborador, além de blogueiro. Estas são apenas algumas das - muitas - habilidades do aposentado Faukecefres Savi, de 86 anos.

Nascido e criado em Bauru, ele viveu diversas mudanças tecnológicas, principalmente, no que diz respeito ao cinema, à música e à fotografia. "Quanto à música, presenciei todas as transformações, desde o bolachão preto, passando pelas fitas cassete e pelos CDs, até a Internet - hoje, ouço jazz via Spotify", conta.

Abaixo, Faukecefres - nome cuja origem ele prefere manter um tom charmoso de mistério, mas revela que a sua mãe sonhou com tal alcunha - fala sobre a vida, a carreira e as mil e uma atividades que pratica até hoje.

Reprodução/Douglas Reis
Faukecefres, em 1952

Jornal da Cidade - O senhor nasceu em Bauru. Como foi a sua infância?

Faukecefres Savi - Eu nasci em Bauru, no dia 3 de abril de 1932. O meu pai era alfaiate e a minha mãe, dona de casa. A minha infância foi muito boa, tenho saudade. Nós morávamos na quadra 5 da Monsenhor Claro, onde sequer havia asfalto. Desta época, eu lembro que a boiada passava e descia pela rua da minha casa. Virava atração turística para a criançada.

JC - O senhor estudou Direito na ITE. Como era a sua rotina nesta época?

Reprodução/Douglas Reis
Faukecefres apresentava o programa Primeira Hora, na AuriVerde, em meados da década de 50

Faukecefres - Fiz Direito entre 1954 e 1959. Neste período, eu ia para a aula de manhã e, à tarde, apresentava o programa Primeira Hora, na rádio AuriVerde, sobre música, principalmente, jazz, ritmo que ainda admiro. Em 1958, quando ainda fazia rádio, acompanhei o lançamento da Bossa Nova. Tive o prazer de apresentar a Bauru o cantor João Gilberto, até então desconhecido. Nesta época, o disco era chamado de bolacha preta e tinha 78 rotações. Sabe por que a Bossa Nova fez tanto sucesso?

JC - Por quê?

Faukecefres - Quando a Bossa Nova foi lançada, em 1958, eu tinha 26 anos. João Gilberto, Tom Jobim e outros cantores eram da mesma idade. O ritmo foi uma injeção de juventude na Música Popular Brasileira, que, até então, só falava sobre tragédias. A Bossa Nova veio para trazer outro ar, falava de mar, céu, praia, garota de Ipanema, entre outros. Hoje, o ritmo sofre influência do jazz e já foi assimilado pelo mundo inteiro.

JC - Quando o senhor conheceu a sua esposa, a Maria José?

Reprodução/Douglas Reis
Maria José e Faukecefres Savi durante o baile de formatura do aposentado, em 1959, no BTC

Faukecefres - Nós nos conhecemos durante o tradicional footing pela Batista de Carvalho e nos casamos em 1959, ano em que me formei em Direito.

JC - Houve uma tragédia que marcou Bauru e envolveu a família do senhor, certo? Poderia falar sobre ela?

Faukecefres - No dia 12 de fevereiro de 1990, por volta das 10h, a minha primogênita, Gisele, de 30 anos, e o meu neto, Guilherme, de 4, morreram após serem atingidos por um avião da extinta TAM, na rua João Polletti, em Bauru. Na ocasião, houve uma falha na pilotagem e não existia o Aeroporto Moussa Tobias - o serviço era prestado pelo próprio Aeroclube. O piloto errou na tomada da pista, tentou arremeter, porém, como não conseguiu velocidade suficiente, a aeronave estolou e colidiu contra o carro que minha filha dirigia. Foi algo que destruiu a nossa família e, até hoje, não superamos direito.

JC - Sinto muito. Mas, vamos retomar à juventude do senhor. O que fez depois que se formou em Direito?

 Douglas Reis/Reprodução
Família: Gianina, Faukecefres, Giancarlo, Maria José e Giorgia

Faukecefres - Em 1960, já casado e com a nossa primeira filha, Gisele, ingressei na Sanbra. Na ocasião, a direção procurava alguém com formação superior para assumir a gerência de fábrica. Estava destinado para Maringá, mas permaneci em Bauru. Na cidade, fiquei como gerente até 1986 e só saí, porque me aposentei.

JC - Mas o senhor não parou de trabalhar, não é?

Faukecefres - Muito pelo contrário, afinal, voltei a exercer a advocacia - especificamente, na área de Direito Trabalhista e Previdenciário. Participei de muitos cursos e seminários na Capital Paulista, inclusive, com o "papa" do Direito Previdenciário, Wladimir Novaes Martinez. Além disso, também me associei a um escritório de advocacia de São Paulo, do Wagner Balera.

JC - O senhor ainda exerce a advocacia?

Faukecefres - Embora faça mais de cinco anos que eu não aceito qualquer novo processo, estou dando continuidade aos antigos, já que cada ação demora quase 30 anos para acabar. Isso porque o Judiciário brasileiro é lento e o nosso sistema admite inúmeros recursos.

JC - Qual é a opinião do senhor sobre a polêmica Reforma Previdenciária?

Faukecefres - É necessária, afinal, o Brasil é um dos poucos países que não exige idade mínima para aposentar.

JC - E quando se envolveu com o Jornalismo?

Faukecefres - Sempre tive verdadeira fascinação pelo Jornalismo. Tanto que sou jornalista colaborador registrado desde 1991. Além disso, lecionei fotografia no curso de Artes e Comunicações da Fundação Educacional de Bauru, hoje Unesp, na década de 70, ao mesmo tempo em que trabalhava na Sanbra. Nesta condição de advogado e jornalista colaborador, mantive uma coluna, no Jornal da Cidade, denominada Trabalhismo e Previdência, entre 1990 e 2010. Nesta época, Nilson Costa foi um grande amigo e incentivador. Só parei com a coluna, porque decidi me afastar da advocacia. Atualmente, mantenho apenas o meu blog (www.fsavi.com.br), no qual reproduzo artigos dos principais jornalistas contemporâneos.

JC - O senhor se considera um "amador avançado" quando o assunto é fotografia. Por quê?

Faukecefres - Quem curte cinema, gosta de imagens, em geral, incluindo a fotografia. Quando eu construí esta casa, costumo dizer que fiz um laboratório fotográfico com uma residência em volta. Hoje, o espaço virou sala de TV. Nesta época, eu trabalhava com preto e branco. Depois, cheguei a fazer um curso de fotografia colorida na Kodak, mas descobri que a tecnologia era muito cara e parei por aí.

JC - O senhor, então, presenciou, e se adaptou, a uma série de transformações, não só a da fotografia?

Faukecefres - Sem dúvida alguma. Hoje, por exemplo, fotografo com o meu celular, não mais com a minha Pentax. Quanto à música, vivenciei todas as transformações, desde o bolachão preto, passando pelas fitas cassete e pelos CDs, até a Internet. Hoje, ouço jazz via Spotify. 

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