Bairros

Bauru pelas lentes de quem a retrata diariamente

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 7 min

Malavolta Jr.
Bauru em foco: edição traz leituras de fotógrafos profissionais sobre a cidade e alguns bairros

Hoje, 19 de agosto, é comemorado o Dia Mundial da Fotografia. E, ainda em clima de comemoração pelos 122 da cidade, o JC nos Bairros lançou um desafio para sete fotógrafos profissionais moradores de diferentes pontos de Bauru: retratar o município e o bairro em que vivem diante de suas próprias perspectivas e inspirações.

São munícipes que atuam ou atuaram em diversas áreas do segmento da fotografia, como o fotojornalismo, a foto publicitária, ensaios fotográficos, eventos sociais, arquitetura, moda, paisagem e fotos abstratas e artísticas.

A proposta desta edição é a de mostrar como estes profissionais que trabalham com retratos enxergam Bauru. Quais as belezas e as demandas? Será que eles possuem uma visão diferenciada? O que será que veem que a população, talvez, não enxergue no dia a dia?

OLHAR 

Subjetiva, a fotografia é uma arte ou um processo que carrega em si o olhar e as experiências de vida do  fotógrafo. O que explica o motivo de uma imagem nunca ser igual à outra.

E a leitura de quem a observa também é diversa, e pode abrir margens para interpretações variadas e, às vezes, não cogitadas nem mesmo pelo próprio fotógrafo.Em Bauru, dezenas profissionais se dedicam à arte de fotografar, atualmente. Nas próximas páginas, uma pitada sobre o trabalho de sete profissionais deste universo na cidade: Quioshi Goto, Neide Carlos, João Correia Filho, Denise Guimarães, Priscila Medeiros, Gabriel Cabreira e Aline Furlanetto. 

Divulgação
Câmara de daguerreótipo Succe Frères, exposta no museu Westlicht Photography Museum, em Viena, na Áustria

Origem da data

A escolha do dia 19 de agosto para celebrar o Dia Mundial da Fotografia é uma homenagem a invenção do daguerreótipo, o antecessor das câmeras fotográficas um processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). 

Um daguerreótipo consiste em uma imagem única e positiva, formada diretamente sobre placa de cobre, revestida com prata e, em seguida, polida e sensibilizada por vapores de iodo. Depois de exposta na câmera escura, a imagem é revelada por vapores de mercúrio e fixada por uma solução salina.

Foi em 19 de agosto de 1839 que a Academia Francesa de Ciências anunciava mundialmente a nova invenção.

Imagens retratam diversidade de Bauru e de alguns bairros?

Com uso de diferentes técnicas, profissionais revelam seus olhares sobre as belezas e até demandas da cidade?

"Uma imagem fala mais que mil palavras", diz o ditado do filósofo chinês Confúcio. E, de fato, não é preciso tanta reflexão para notar que a fotografia é capaz de comunicar e até conceder sentidos diferentes para um mesmo tema ou cena, dependendo da forma como é retratada e da técnica aplicada. O ensaio fotográfico desta página e da página a seguir traz sete diferentes olhares sobre Bauru e detalhes que representam alguns bairros.

Além do contexto da composição, com viés social, histórico ou panorâmico, detalhes como a posição e a distância da câmera em relação ao item a ser capturado, o ângulo de tomada, a cor e a quantidade de luz do ambiente deram sentidos diversos a um mesmo tema. Técnicas que, inclusive, remetem ao estilo de cada profissional convidado.

Gabriel Cabreira, morador do Jardim Europa

Bauruense nascido em 1988, atua na fotografia desde os 15 anos, quando comprou sua primeira máquina fotográfica, com salário de DJ. Seu contato profissional com a foto se deu, de fato, em 2013, quando começou a realizar ensaios e a trilhar caminho como fotógrafo publicitário, área que atua até hoje.

"Fiz uma viagem pela Europa que foi uma escola em termos de fotografia, pois definiu meu estilo de fotografar. As imagens em PB e vintage me chamam muito a atenção", cita.

Gabriel Cabreira
Gabriel Cabreira em autorretrato

Gabriel Cabreira
Copaíba sem cor: na avenida Getúlio Vargas, região do Jardim Europa

Gabriel Cabreira
Bauru no desenho das Luzes

Denise Guimarães, moradora do Centro

Trabalha com fotografia há 23 anos. Seu primeiro contato foi em aulas do curso de Design, da Unesp. Anos depois, trabalhou no Jornal da Cidade, período em que aprendeu muitas técnicas. Também atuou na assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru, no Jornal Bom Dia e no SEBRAE-SP. Atualmente, é fotógrafa na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) e ministra aulas na FIB, além de desenvolver projetos pessoais na área.

"A fotografia pra mim é uma grande paixão, tanto que até hoje me divirto enquanto trabalho", comenta.

Denise Guimarães
Denise Guimarães em autorretrato

Denise Guimarães
Nascer do sol visto do Centro de Bauru

Denise Guimarães
Beleza e valor histórico em Bauru: o Cine Teatro-Cassino Aimorés, do Instituto Lauro de Souza Lima de Bauru, antigo asilo-colônia "Aimorés", que chegou a ter mais de 1,5 mil internos

João Correia Filho, morador do Jardim Colonial

Formado em Jornalismo pela Unesp de Bauru. Atuou de 1999 a 2015 como colaborador de algumas das mais importantes revistas no Brasil e no Exterior, como National Geographic. Com dezenas de exposições em seu currículo, é autor de três guias turísticos literários, entre eles Lisboa em Pessoa, um dos vencedores do Prêmio Jabuti 2012, na Categoria Turismo. "Atualmente, desenvolvo projetos autorais ligados à fotografia, literatura e viagem, além de me dedicar ao documentário audiovisual, como integrante do coletivo Mó Documental", acrescenta.

João Correia Filho
João Correia Filho em autorretrato

João Correia Filho
Imagem realizada no Parque das Nações, em Bauru, a partir do livro Vidas Secas, do escritor Graciliano Ramos

João Correia Filho
Fios da rede elétrica na av. Oswaldo Alvarenga Tavano, no Jardim Colonial: luz do fim do dia

Os detalhes raramente passam despercebidos do olhar profissional?

Priscila Medeiros, moradora no Núcleo Geisel

Iniciou na fotografia em 1998, quando trabalhou no Jornal da Cidade. Como fotógrafa profissional começou a sua carreira em 2000, após conseguir o registro de repórter fotográfico. Desde então, trabalha na assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal.

"Ministrei vários cursos de fotografia pela Oficina Cultural em Bauru e região e realizei diversas exposições fotográficas. A última, em 2017, tinha fotos de plantas de crescimento espontâneo. São esses detalhes, coisas que passam despercebidas pelas pessoas que gosto de fotografar, detalhes de arquitetura e arte tumular", diz.

Priscila Medeiros
Priscila Medeiros em autorretrato

Priscila Medeiros
Núcleo Geisel, sede do Sambódromo, a "casa" do Carnaval de rua em Bauru
Priscila Medeiros
Bauru vista a partir da avenida Moussa Tobias

Neide Carlos, moradora da Vila Nova Cardia

Formada em Jornalismo, atua como fotógrafa desde 2005. Trabalhou por 9 anos no departamento de fotografia do Jornal da Cidade. É doutoranda em Comunicação pela Unesp de Bauru e é uma das autoras do livro Imagens em Jogo, publicado em 2017. Realiza trabalhos como freelancer, principalmente no fotojornalismo. Ainda no jornalismo esportivo atuou na cobertura dos jogos de vôlei do time de Bauru por duas temporadas. "Meus trabalhos como pesquisadora sempre tem a fotografia como tema central", reforça.

Neide Carlos
Neide Carlos em autorretrato

Neide Carlos
O sorriso de Maria Antonia, Vila Nova Cardia

Neide Carlos
Convergência de luzes; vista noturna da região da Marechal Rondon com a avenida Duque de Caxias, em Bauru

Quioshi Goto, morador da Vila Alto Paraíso

Atua há mais de meio século na fotografia profissional. Iniciou como aprendiz, aos 12 anos, em uma loja de equipamentos fotográficos na zona Norte de São Paulo, incentivado por seu pai. Aos 16 anos, mudou-se para Bauru e, em 1972, começou a atuar no fotojornalismo. Na época, foi contratado pelo Jornal da Cidade, local onde se aposentou e permaneceu como editor até 2016. "Acompanhei o crescimento de Bauru atuando na fotografia. Vejo o Vitória Régia como um marco da cidade", cita Goto.

Samantha Ciuffa
Quiosh Goto por Samantha Ciuffa

Quioshi Goto
Maria-faceta se alimenta de peixes no lago do Parque Vitória Régia, cartão postal de Bauru

Quioshi Goto
Homem caminha no anoitecer da Praça do Penta, na Vila Alto Paraíso, em Bauru

Aline Furlanetto, moradora do Jardim Bela Vista

Formada em Jornalismo em 2001 pela USC. Atuou por aproximadamente seis anos no Jornal Comércio do Jahu e acumula trabalhos como freelancer para outros veículos de comunicação e prefeituras. Também formada em gastronomia, trabalha com a fotografia de produtos em seu próprio restaurante, no Jardim Bela Vista, atualmente.

"Gosto de fotos informais, uso a geometria nas composições. Também gosto do resultado do contraluz em algumas situações", observa.

Aline Furlanetto
Aline Furlanetto em autorretrato

Aline Furlanetto
Bauru pelo lado negativo: realidade social, ainda mais em período eleitoral; Bauru pelo lado positivo: você nunca está sozinho

Aline Furlanetto
O Jardim Bela Vista tem se tornado uma área explorada por restaurantes pequenos e diversificados; a luz do pôr do sol ao fundo pode simbolizar o futuro da região

 

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